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Michelle Bolsonaro volta a atacar Flávio e diz que “direita do Ceará está vendida” por aliança do PL com Ciro Gomes

Por Luiz Gomes • 21 de julho de 2026

Com Sthefany Paixão

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar publicamente a articulação política do Partido Liberal (PL) no Ceará e renovou a crise familiar com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Em publicação nas redes sociais no domingo (19), ela afirmou que “a direita do Ceará está vendida” em referência à tentativa de aproximação entre o partido e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que disputa o governo do estado.

A manifestação ocorreu após Ciro declarar, no sábado (18), que na disputa presidencial apoiaria o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ou o influenciador Renan Santos (Missão), sem mencionar Flávio Bolsonaro entre as opções viáveis da direita. “Eu me dou muito com o Ronaldo Caiado, votaria nele sem nenhuma dificuldade. Estou acompanhando essa novidade que apareceu, que é o Renan Santos. Me parece uma pessoa que, a despeito de jovem e tal, está falando coisas muito verdadeiras”, disse Ciro.

Michelle diz que alertou sobre Ciro

Ao comentar a declaração do tucano, Michelle escreveu:

“Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho ‘toma lá, dá cá’. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida.”

Michele Bolsonaro – PL Mulher

A declaração faz referência às negociações conduzidas pelo PL para construir uma aliança com o PSDB no estado, atualmente governado por Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição em 2026. Em maio, o deputado federal André Fernandes, presidente do PL no Ceará, anunciou apoio a Ciro Gomes com a justificativa de que “toda ajuda é bem-vinda” para derrotar a gestão petista.

Crise familiar exposta

A nova manifestação da ex-primeira-dama ocorre pouco mais de um mês após a divulgação de um vídeo em que ela relatou ter sido “maltratada”, “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio Bolsonaro durante uma conversa sobre as estratégias eleitorais do PL. Na gravação, Michelle também criticou a decisão do partido de buscar entendimento com o PSDB no primeiro turno e defendeu a candidatura da vereadora Priscila Costa (PL-CE) ao Senado.

Segundo ela, o senador afirmou que seria melhor que ela não participasse das decisões partidárias. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle em um vídeo divulgado nas redes sociais. Ela também definiu o episódio como “uma punhalada”.

Na semana passada, Flávio Bolsonaro afirmou que não mantém mais contato com a madrasta. “Eu não tenho mais relação com ela, ainda mais agora que eu tô proibido de falar com o meu pai”, disse.

Pragmatismo do PL no Ceará versus ala ideológica

A crise expõe uma tensão estrutural dentro do bolsonarismo: de um lado, a ala mais ideológica, representada por Michelle, que rejeita qualquer aproximação com figuras associadas à inelegibilidade de Jair Bolsonaro; de outro, o pragmatismo de setores do PL dispostos a fazer alianças estaduais com quem possa enfraquecer o PT, independentemente do histórico político do aliado.

A lógica do PL nacional segue a mesma direção, mas com um cálculo mais frio. O partido sabe que Ciro não apoiará Flávio Bolsonaro, mas nem por isso o descarta: a avaliação interna é que o tucano pode ser uma “arma para bater em Lula”. Um integrante do time de Flávio resumiu a estratégia: “Vamos municiá-lo de material contra o Lula”. Para Michelle, essa conta não fecha.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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