O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de sexta-feira (12) a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, líder do grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua. O ataque foi realizado pelo Comando Sul dos EUA, em coordenação com o governo venezuelano.
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que a operação foi um “ataque cinético rápido e letal”. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que a captura ocorreu no início da semana, sem fornecer detalhes adicionais. O governo venezuelano confirmou a informação e parabenizou os oficiais locais envolvidos.
O ataque e a operação
Segundo a Gazeta do Povo, a eliminação de Guerrero Flores ocorreu no sudeste do estado venezuelano de Bolívar, em uma região ligada à mineração ilegal de ouro controlada por Yohan José Romero, um de seus principais aliados. A inteligência da CIA identificou o complexo residencial onde o líder se escondia.
Um vídeo divulgado por Trump mostra o momento em que um projétil atinge uma estrutura, reduzindo o local a escombros e chamas. Durante a incursão terrestre após o ataque, novos confrontos armados foram registrados, e Guerrero Flores teria sido morto.

Quem era Niño Guerrero
Nascido em 30 de maio de 1983, em Maracay, no estado de Aragua, Guerrero Flores iniciou sua carreira criminosa nos anos 2000 com pequenos roubos e venda de drogas. Em 2005, matou um policial.
Foi preso em 2010 e enviado ao Centro Penitenciário de Aragua, de onde fugiu em 2012 com suposto auxílio de agentes penitenciários. Recapturado em 2013, retornou ao mesmo presídio e consolidou seu poder, transformando a prisão de Tocorón em sua base de operações. O local chegou a contar com piscina, campo de beisebol, boate e até um zoológico, segundo o UOL.
De dentro da prisão, Guerrero Flores controlava a expansão do Tren de Aragua para além das fronteiras venezuelanas, com células na Colômbia, Peru, Chile, Equador, Brasil e Panamá. O grupo atua em crimes como narcotráfico, extorsão, sequestro, tráfico de pessoas, contrabando de migrantes e mineração ilegal.
Recompensa e acusações nos EUA
O Departamento de Estado dos EUA oferecia uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à captura de Guerrero Flores. Ele foi indiciado em dezembro por um tribunal federal de Nova York por conspiração para cometer extorsão, tráfico de armas e apoio a atividades terroristas.
Em 2025, o governo dos EUA designou formalmente o Tren de Aragua como uma Organização Terrorista Estrangeira (FTO).
Presença no Brasil
No Brasil, o Tren de Aragua foi identificado em 2019 em Pacaraima (RR), com presença em áreas indígenas e no sistema prisional. O grupo atua em Roraima em parceria com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), prestando serviços como segurança para transporte de cocaína e fornecimento de armas, sem registros de confrontos diretos.

