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Fifa desiste de plano de vender participação a investidores

Zurique — 1 de Agosto o de 2026. A Fifa anunciou, nesta sexta-feira (31), a desistência do plano de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que venderia participação a investidores privados, depois que a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) ameaçou boicotar competições organizadas pela entidade.

Anúncio encerra crise iniciada na terça-feira

O comunicado foi divulgado em nome do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e informou que a proposta “não prosseguirá”. Segundo o texto, reproduzido pelo InfoMoney, o projeto criou divisões que passaram a contrariar o objetivo original de fortalecer as associações-membro, independentemente do nível de apoio que ainda tivesse.

A crise começou na terça-feira (28), quando o anúncio do plano pegou a comunidade do futebol de surpresa. A Uefa foi a primeira confederação a se posicionar contra a proposta, com ameaça de boicote às competições organizadas pela Fifa. A Concacaf e a AFC (Ásia) se juntaram à rejeição europeia, enquanto a OFC (Oceania) e a Conmebol (América do Sul) adotaram posição mais branda, convocando reuniões para avaliar o projeto — a Conmebol foi a última confederação a se manifestar, nesta sexta-feira. Infantino afirmou que pretende reunir as partes interessadas nas próximas semanas para discutir o crescimento do futebol, sem detalhar se um novo modelo de investimento será apresentado.

Plano previa venda de até 20% de subsidiária

A Fifa Forward Enterprise seria uma nova subsidiária controlada majoritariamente pela Fifa, responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições organizadas pela entidade, incluindo a Copa do Mundo. A proposta previa a venda de até 20% das participações a sócios minoritários, e a meta era arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões, na cotação atual), valor calculado sobre uma avaliação estimada de US$ 20 bilhões (R$ 101,5 bilhões) para a subsidiária.

Com o aporte, a Fifa projetava repassar US$ 20 milhões (R$ 102 milhões) a cada federação nacional no ciclo de 2027 a 2030. A criação da FFE dependia da aprovação da maioria das associações-membro da Fifa, além de consulta prévia ao Conselho da entidade, às confederações e a outras partes interessadas, segundo o comunicado.

Proposta ligava Infantino a genro de Trump

O plano havia sido associado ao empresário americano Joshua Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Fifa havia indicado a Thrive Eternal, holding controlada por Kushner, para liderar o grupo de investidores interessado em aportar o equivalente a R$ 21,4 bilhões somente em 2026 na subsidiária, que reuniria os direitos comerciais das competições masculinas, femininas e de categorias de base.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, discursa em encontro com Donald Trump — Foto: Evan Vucci TPX

A repercussão da proposta também levou à saída do principal assessor de Infantino, Carlos Cordeiro, que deixou o cargo dias após o anúncio do plano. Cordeiro afirmou que a prioridade da Fifa deveria ser a proteção do futebol.

Fifa vinha de recorde de faturamento com a Copa de 2026

A proposta foi apresentada meses depois da Copa do Mundo de 2026, disputada pela primeira vez com 48 seleções — promessa de campanha de Infantino desde sua eleição, em 2016. O torneio ajudou a Fifa a fechar o ciclo 2023-2026 com faturamento recorde de US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões).

O cenário atual contrasta com o encontrado por Infantino ao assumir a presidência da Fifa, em 2016, quando a entidade registrava prejuízo de US$ 102 milhões (R$ 330 milhões, na cotação da época) e uma dívida de US$ 550 milhões (R$ 1,9 bilhão) — o primeiro déficit da Fifa em 15 anos. Infantino ainda não detalhou se um novo modelo de investimento será apresentado nas próximas conversas com as confederações.

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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