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O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se apresentou à polícia e foi preso nesta sexta-feira (18), em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele era considerado foragido desde a quinta-feira (17), quando agentes não o encontraram em sua residência para cumprir um mandado de prisão temporária de 30 dias expedido pela Justiça.
A prisão ocorreu na sede da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Mogi das Cruzes, onde tramitou o inquérito da operação. Leite havia afirmado que se apresentaria em 24 horas e negou as suspeitas: “Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]” .
Apreensão de R$ 740 mil em Sorocaba
Antes da apresentação, a Polícia Civil realizou buscas em um imóvel de um assessor ligado a Milton Leite na cidade de Sorocaba, no interior paulista. O político não foi encontrado no local, mas as autoridades apreenderam cerca de R$ 740 mil em dinheiro vivo**, parte em dólares[reference:5]. Segundo a CNN Brasil, os policiais encontraram **R$ 287 mil e US$ 89 mil no imóvel, que pertence a um assessor do ex-presidente da Câmara que hoje trabalha para um de seus filhos.
Investigação sobre vazamento
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo vão apurar a suspeita de vazamento de informações sobre a Operação Vectura Corrupta. A apuração foi aberta depois que investigadores estiveram em pelo menos dois endereços ligados a Milton Leite e encontraram apenas empregados nos locais. O delegado Fabrício Intelizano, de Mogi das Cruzes, já havia confirmado a suspeita em coletiva na quinta-feira (17): “A gente vai apurar isso [vazamentos] no curso da investigação. Mas a gente não pode afirmar de maneira categórica” .
Origem da operação
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decurio, iniciada em 2024 pela Dise de Mogi das Cruzes após a apreensão de cerca de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba. A investigação avançou a partir da extração de dados do celular da mulher de um dos líderes da facção e identificou indícios de que pessoas ligadas ao PCC atuavam no financiamento de candidatos nas eleições municipais de 2024.
Dos 16 alvos de prisão temporária da operação, dez haviam sido presos até a noite de quinta-feira. Além de Milton Leite, outros seis continuavam foragidos até a manhã desta sexta, entre eles o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, o “Camarão”, presidente da viação A2 Transportes e do time Água Santa.
O que diz a investigação
Segundo o MPSP, o esquema incluía laranjas ou interlocutores do PCC no controle de 12 das 22 empresas de transporte da cidade de São Paulo. A investigação aponta que decisões estratégicas relacionadas a empresas suspeitas de ligação com a facção dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. Policiais militares também afirmaram, em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, que ele seria o “verdadeiro dono” da Transwolff, empresa que gerenciou linhas de ônibus da capital e cujo contrato foi rompido por suspeitas de envolvimento com o PCC.
Referências
CNN Brasil — Polícia tenta prender Milton Leite em Sorocaba; casa de assessor foi alvo.
G1 — Polícia investiga possível vazamento de informações de operação que mirou integrantes do PCC e Milton Leite em SP.
O Globo — Milton Leite e outros 5 alvos de operação contra infiltração do PCC no transporte de SP ainda não foram localizados.
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem a operação deflagrada pelo MPSP e pela Polícia Civil de São Paulo em 17 de setembro de 2026, a prisão de Milton Leite em 18 de setembro e declarações públicas do ex-vereador. A operação cumpre mandados de prisão e busca e apreensão e não representa condenação dos investigados. As suspeitas sobre a ligação de Milton Leite com o PCC e sobre sua atuação como “dono de fato” da Transwolff são baseadas em investigações em andamento e não constituem prova de culpa. A apuração sobre eventual vazamento de informações está em fase inicial. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

