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Lula rejeita classificação de facções como terroristas e diz que ‘terrorismo foi o 8 de Janeiro’

Em evento no Rio, presidente afirma que Trump faz 'terrorismo de Estado' ao falar de política e defende PEC da Segurança Pública e criação do Ministério da Segurança; EUA classificaram PCC e CV como organizações terroristas em junho

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rejeitou nesta sexta-feira (18) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro, Lula afirmou que o verdadeiro terrorismo foi a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

O presidente Lula (PT) em agenda no Rio de Janeiro em 18 de setembro de 2026. Foto: Mauro Pimentel/AFP

“Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, declarou o presidente. “Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado. Quem fazia isso? O Bolsonaro tentando dar o golpe no 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes”.

Contexto: a classificação dos EUA

Em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado dos EUA designou o PCC e o CV como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs) e anunciou a intenção de classificá-los como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTO), com efeito a partir de 5 de junho. Em 16 de setembro, o governo Trump enviou ao Congresso americano um relatório afirmando que o Brasil “falhou em confrontar” as duas facções, que teriam transformado o país em um centro do fluxo global de cocaína.

O Ministério da Justiça rebateu as alegações, citando a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, e operações de combate ao crime organizado. Especialistas ouvidos pela imprensa avaliaram que a classificação faz parte de uma pressão política para alinhar países do continente ao governo americano.

Números do 8 de Janeiro

O STF já condenou 1.402 pessoas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Atualmente, 431 condenados cumprem penas privativas de liberdade, enquanto 419 estão submetidos a penas restritivas de direitos. As penas chegam a 27 anos de prisão. Entre os condenados estão um ex-presidente, cinco militares e dois ex-ministros, por tentativa de golpe de Estado.

Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

PEC da Segurança e Ministério

Lula defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que está no Senado, como condição para criar o Ministério da Segurança Pública. “Quando a PEC for aprovada, eu vou criar o Ministério da Segurança Pública. Vou preparar mais a Polícia Federal, mais uma Força Especial Federal, mais a Polícia Rodoviária”, afirmou.

O presidente também alertou para o interesse de Trump nas riquezas brasileiras. “O Trump está aí atrás de minerais críticos, petróleo, terras raras. Isso aqui é nosso. Como vamos controlar 18 mil quilômetros de fronteira sem investimento?”, questionou.

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Referências

UOL — Lula rebate Trump e diz que não aceita classificar facções como terroristas.

G1 — Lula diz não aceitar classificação de facções como terroristas: ‘Terrorismo foi o 8 de Janeiro’.

O Globo — Lula rebate tese de Trump sobre facções como terroristas e ataca Jair e Flávio Bolsonaro.

Agência Brasil — Trump cita PCC e CV e diz que Brasil não conseguiu enfrentar facções.

STF — Balanço atualizado sobre investigações e condenações por atos antidemocráticos.

Freshfields — U.S. Terrorist Designations of Brazilian Crime Groups.

Agência Brasil — Lula fala em Ministério de Segurança Pública, caso PEC seja aprovada.

Nota Editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem declarações públicas do presidente Lula em evento oficial em 18 de setembro de 2026, documentos oficiais dos EUA e do STF, e reportagens de veículos de imprensa. A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA é um fato documentado. A afirmação de Lula de que o 8 de Janeiro foi “terrorismo de Estado” é uma declaração política do presidente, não uma conclusão judicial. Os números de condenações são baseados em balanço oficial do STF. A PEC da Segurança Pública está em tramitação no Congresso e a criação do Ministério depende de sua aprovação. O espaço para manifestação do governo americano e de outros envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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