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Considerado foragido, Milton Leite diz que é inocente, está em viagem e vai se apresentar em até 24 horas

Ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo é alvo de mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, que investiga infiltração do PCC em empresas de ônibus da capital; ele nega envolvimento com a facção e afirma que vai provar sua inocência

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O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo de um mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, deflagrada na manhã desta quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil paulista. A ação investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte público da capital e cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão .

A Polícia Civil considera Milton Leite foragido após os policiais não o encontrarem em sua residência para cumprir o mandado. Segundo informações obtidas durante a diligência, ele estava em casa até a tarde de quarta-feira (16) e saiu à noite para um compromisso de campanha .

Milton Leite nega acusações e diz que está em viagem

Em nota enviada por sua assessoria, Milton Leite afirmou que é inocente e que vai se apresentar às autoridades. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações” .

Por telefone à TV Globo, o ex-parlamentar classificou a operação como “perseguição”.

“Eu não tô trabalhando. Eu nem conversei com o advogado. Me parece ser perseguição. Nego qualquer acusação das afirmações apresentadas. Que apresente uma única prova”, declarou .

Ao UOL, Leite negou que seja dono de empresa de ônibus: “Não sou dono de empresa de ônibus e só assumi uma interlocução na SPTrans a pedido do Bruno Covas [ex-prefeito morto em 2021], por causa da greve de 2019. Não tem nada de ilegal” .

Segundo o Metrópoles, Leite afirmou que está no interior de São Paulo cumprindo compromissos de campanha de seus filhos, candidatos à reeleição para deputado estadual e federal. “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, disse .

Outros presos na operação

Além de Milton Leite, também foram presos na operação:

  • Levi dos Santos Oliveira: ex-presidente da SPTrans e ex-secretário de Mobilidade e Trânsito da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
  • Danilo Marco Morgado Silva: candidato a deputado estadual pelo PL e que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024. Ele é suspeito de ter recebido financiamento da facção durante a campanha eleitoral.

O que a investigação aponta

Segundo o MPSP, o esquema incluía laranjas ou interlocutores do PCC no controle de 12 das 22 empresas de transporte da cidade de São Paulo. Com esses representantes, a facção se infiltrava nos contratos de transporte público da capital .

A investigação aponta que decisões estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite . Policiais militares também afirmaram, em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, que ele seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa de ônibus de São Paulo .

Dentro das empresas, os investigados negociavam vendas de ônibus para movimentar dinheiro do crime. O grupo criminoso teria uma divisão clara de tarefas, com recebimento de comissões para mascarar outros negócios do PCC, tendo as empresas como fachada . A organização também movimentava dinheiro por meio do financiamento de campanhas eleitorais .

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Posição da Transwolff

Foto: Paulo Gustavo/Ônibus Brasil

Em nota, a Transwolff afirmou que “Milton Leite nunca teve qualquer participação societária, nunca participou da gestão ou ‘deu ordens'” na empresa .

A operação representa um novo capítulo na investigação sobre a infiltração do crime organizado no transporte público de São Paulo, que já havia resultado na intervenção da Prefeitura na Transwolff em abril de 2024 . A prisão de um ex-presidente da Câmara e de um ex-secretário municipal, se confirmada, pode ampliar o alcance das apurações e atingir outros agentes públicos.

Milton Leite tem até 24 horas para se apresentar às autoridades. Caso não o faça, permanecerá como foragido. A Polícia Civil mantém policiais no local de sua residência para cumprir o mandado de busca e apreensão . A operação segue em andamento, e os investigados responderão pelos crimes apurados, que incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

Referências

G1 — Considerado foragido, Milton Leite diz que é inocente, está em viagem e que vai se apresentar em até 24 horas.

UOL — Milton Leite nega acusações, diz estar no interior e que se entrega em 24h.

Metrópoles — Milton Leite nega estar foragido e diz que vai se apresentar em 24 horas.

Agência Brasil — Operação combate infiltração do PCC no transporte público em São Paulo.

G1 — Ex-presidente da SPTrans é preso em operação contra infiltração do PCC nas empresas de ônibus.

O Globo — PCC teria controle de 12 das 22 empresas de ônibus de SP, aponta investigação; Milton Leite é citado como operador.

UOL — Milton Leite é alvo de operação contra ação do PCC em empresas de ônibus.

Nota editorial

As informações relatadas nesta matéria refletem a operação deflagrada pelo MPSP e pela Polícia Civil de São Paulo em 17 de setembro de 2026, e declarações públicas de Milton Leite e de outros envolvidos. A operação cumpre mandados de prisão e busca e apreensão e não representa condenação dos investigados. As suspeitas sobre a ligação de Milton Leite com o PCC e sobre sua atuação como “dono de fato” da Transwolff são baseadas em investigações em andamento e não constituem prova de culpa. A Transwolff nega a participação de Leite na empresa. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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