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Publicações manipuladas resgatam projeto antigo arquivado em 2008 para criar falsa narrativa religiosa contra candidato à Presidência; assessoria do senador e agências de checagem desmentem boato.
Em momentos de disputa acirrada, quando o debate de ideias e as propostas não são suficientes para convencer o eleitorado, estratégias rasteiras apelam para o sentimento mais profundo do cidadão: a sua fé. A recente tentativa de imputar ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro a intenção de revogar o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil não representa apenas mais uma desinformação de campanha, mas um ataque orquestrado aos símbolos religiosos da nação, distorcendo fatos históricos e usando a devoção popular como arma de desgaste político.
Ataque aos símbolos religiosos e a desinformação na campanha
Nas últimas semanas, conteúdos virais que circulam nas redes sociais e aplicativos de mensagística têm afirmado que o plano de governo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) preveria a remoção de Nossa Senhora Aparecida do posto oficial de Padroeira do Brasil, bem como a extinção do feriado nacional de 12 de outubro
O material desinformativo utilizava montagens de notícias e trechos fora de contexto para sugerir que o candidato estaria alinhado a pautas de alteração na legislação religiosa nacional. A reação da campanha foi imediata: em vídeo e notas oficiais, Flávio Bolsonaro desmentiu categoricamente a informação, classificando-a como uma “fake news sem pé nem cabeça” criada para manipular a opinião pública
A verdade sobre o Projeto de Lei de 2007
A narrativa falsa ganha aparente tração ao tentar ligar os nomes de parlamentares conservadores a um projeto real, mas antigo e totalmente desvinculado do candidato.
A proposta que pretendia alterar a Lei nº 6.802/1980 — que declara o dia 12 de outubro feriado nacional para homenagear a Padroeira do Brasil — foi o Projeto de Lei nº 2623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli (PMDB-MT). O PL pretendia restringir o título formal de padroeira apenas aos “brasileiros católicos apostólicos romanos”, retirando a abrangência estatal do termo.

Entretanto, dois pontos fundamentais desmoronam a fake news atual:
- Flávio Bolsonaro não era deputado federal nem assinou o projeto: Em 2007, o atual senador nem sequer exercia mandato na Câmara dos Deputados em Brasília.
- O projeto já foi arquivado há anos: A matéria foi rejeitada por unanimidade pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e arquivada em definitivo no ano de 2008. O tema não tramita nem tem qualquer chance de ressuscitar no Congresso Nacional.
A reincidência deste tipo de boato não é nova; estratégias idênticas de desinformação envolvendo o fim de datas religiosas e a remoção da padroeira já foram utilizadas e desmentidas por agências de fact-checking em pleitos passados.
Fontes consultadas
- Portal da Câmara dos Deputados: Notícia oficial: “Projeto que tira de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil está arquivado” (Publicado em 16/10/2018). Confirmação do arquivamento em definitivo do PL 2623/2007 em 2008.
- Gazeta do Povo :Reportagem: “Flávio Bolsonaro nega que vai tirar de Aparecida o título de padroeira do Brasil” (Publicado em 25/09/2026). Registro das declarações e o posicionamento oficial da candidatura desmentindo os boatos recentes
- SP Diário — Cobertura política: “Flávio Bolsonaro nega intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil” (Publicado em 25/09/2026
Nota editorial :
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