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A China decidiu enviar o vice-presidente Han Zheng para representar o país no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, enquanto Xi Jinping participa de uma visita de Estado aos Estados Unidos e se reúne com Donald Trump em Washington.
A escolha foi interpretada por especialistas ouvidos pelo g1 como um sinal da importância atribuída por Pequim ao encontro bilateral com o presidente americano. Xi desembarcou nos Estados Unidos na quarta-feira, 23 de setembro, para uma agenda que inclui conversas sobre comércio, tarifas, inteligência artificial e questões geopolíticas.
Xi escolhe Washington em vez da tribuna da ONU

Xi Jinping raramente discursa pessoalmente na Assembleia Geral da ONU. Desde que assumiu a Presidência da China, em 2013, ele fez apenas um pronunciamento no plenário, em 2015, segundo o g1.
A ausência deste ano, portanto, não é inédita. O ponto relevante é que ela ocorre durante uma visita de Estado aos Estados Unidos, justamente no momento em que Pequim e Washington tentam administrar uma relação marcada por disputas comerciais, tecnológicas e militares.
Han Zheng ficou responsável por representar a China na ONU. A decisão não significa necessariamente abandono do multilateralismo, mas mostra que a liderança chinesa considerou o encontro com Trump mais importante do que a presença direta de Xi na tribuna da organização.
A especialista Larissa Wachholz avaliou que a escolha dá destaque à visita bilateral e evita que a participação de Xi na Assembleia Geral desvie a atenção das conversas com Trump. Já o professor Maurício Santoro apontou que Pequim costuma valorizar mais fóruns nos quais possui maior convergência política ou influência, como os Brics e a Organização para Cooperação de Xangai.
Uma recepção fora do protocolo tradicional
Trump recebeu Xi na porta do avião, com tapete vermelho e cerimônia de grande visibilidade. O g1 classificou a recepção como incomum em comparação com o tratamento normalmente oferecido a outros chefes de Estado.
A cerimônia procurou transmitir a importância estratégica do relacionamento entre as duas maiores economias do mundo. Apesar das disputas entre os governos, Trump e Xi demonstraram interesse em preservar canais diretos de negociação.
Durante o encontro, os dois presidentes destacaram a necessidade de fortalecer as relações bilaterais. A Record News informou que a reunião teve caráter diplomático e enfatizou a importância da cooperação entre os países. [2]
Entre os temas esperados na agenda estavam:
- tarifas e comércio bilateral;
- inteligência artificial;
- tecnologia e segurança;
- Taiwan;
- relações militares;
- cadeias de fornecimento;
- competição estratégica no Indo-Pacífico.
O sobrevoo do bombardeiro B-1
Durante a recepção na Base Aérea Andrews, em Maryland, dois bombardeiros B-1 sobrevoaram o local onde estavam Trump e Xi.
Imagens divulgadas pelo Metrópoles mostram Trump fazendo uma careta ou demonstrando uma reação física ao barulho da aeronave, enquanto Xi permanece aparentemente impassível.
Trump que faz careta durante sobrevoo de bombardeiro B-1 e F-22
A reação de Xi, contudo, não permite concluir o que ele pensou ou sentiu. A interpretação de que o presidente chinês teria demonstrado tranquilidade diante da demonstração militar é uma leitura visual, não uma declaração oficial.
O sobrevoo teve caráter simbólico e militar. O B-1 Lancer é um bombardeiro estratégico americano capaz de transportar armas convencionais e realizar missões de longo alcance. A presença da aeronave durante a recepção reforçou a dimensão de poder militar dos Estados Unidos, mesmo em uma cerimônia destinada a promover a aproximação diplomática.
O papel da inteligência artificial nas negociações
A inteligência artificial aparece como um dos temas centrais do encontro entre Trump e Xi.
A presença do tema ocorre poucos dias depois de um episódio revelado pela CNN, segundo o qual um relatório de inteligência produzido com auxílio de um chatbot quase levou os Estados Unidos a interceptar um navio chinês no Oriente Médio. O sistema teria identificado incorretamente uma carga como parte de um programa de armas nucleares.
O caso aumenta a sensibilidade das conversas sobre inteligência artificial militar. Os dois países competem pelo domínio de modelos avançados, semicondutores, infraestrutura de computação e aplicações de defesa.
A discussão não se limita ao desenvolvimento econômico da tecnologia. Também envolve:
- uso de IA para análise de inteligência;
- seleção de alvos militares;
- comando e controle;
- reconhecimento de ameaças;
- operações cibernéticas;
- armas autônomas;
- prevenção de erros de cálculo entre potências nucleares.
O episódio do navio chinês mostrou que uma falha de IA pode produzir consequências geopolíticas antes mesmo de um sistema assumir o controle direto de uma arma. Basta que um analista ou comandante trate uma informação falsa como confiável.
Conclusão
Xi Jinping priorizou o encontro com Donald Trump e deixou o vice-presidente Han Zheng encarregado do discurso da China na Assembleia Geral da ONU. A escolha reforça o peso estratégico da visita de Estado aos Estados Unidos.
A recepção na Base Aérea Andrews combinou símbolos de aproximação e demonstração militar. Trump ofereceu tapete vermelho a Xi, enquanto bombardeiros B-1 sobrevoaram a cerimônia. A careta de Trump e a expressão neutra de Xi viralizaram, mas não permitem conclusões definitivas sobre o significado político da cena.
O encontro deve concentrar-se em comércio, tarifas, inteligência artificial e segurança. O desafio é impedir que a competição tecnológica e militar produza incidentes capazes de escapar ao controle diplomático.
A prioridade de Xi a Washington, em detrimento do discurso na ONU, mostra que a relação entre Estados Unidos e China permanece uma das principais linhas de força da política internacional.
Referências
China discursa hoje na ONU: Xi Jinping prioriza Trump e deixa pronunciamento para vice — g1
Trump e Xi Jinping discursam em encontro na Casa Branca — Record News/R7
Trump faz careta em passagem de avião militar; Xi não expressa reação — Metrópoles
Erro de IA quase causou conflito entre EUA e China, dizem fontes — CNN Brasil
Erro de IA quase causou guerra entre EUA e China — Exame

