Manifestação reuniu cerca de 20 mil pessoas antes da cúpula do G7, na França; polícia usou gás lacrimogêneo após atos de vandalismo e confronto com manifestantes.
Um protesto realizado neste domingo (14 de junho de 2026) em Genebra, na Suíça, terminou em confrontos entre manifestantes e policiais, com um veículo da Tesla incendiado, janelas de um prédio das Nações Unidas (ONU) quebradas e diversos atos de vandalismo registrados às vésperas da abertura da Cúpula do G7, que acontece em Évian-les-Bains, na França.
Inicialmente pacífica, a manifestação reuniu aproximadamente 20 mil pessoas, segundo estimativas divulgadas pela Reuters. Durante o percurso, parte dos participantes passou a atacar alvos considerados símbolos do capitalismo e do poder econômico global, provocando a intervenção das forças de segurança.

Entre os principais episódios registrados durante o protesto está o incêndio de um veículo da Tesla estacionado em uma das ruas de Genebra.
Manifestantes também quebraram janelas de um edifício ligado às Nações Unidas e arrancaram blocos de concreto do pavimento para lançá-los contra policiais de choque. Imagens registradas por jornalistas da Reuters mostram fumaça, barricadas improvisadas e momentos de tensão no centro da cidade.
Diante da escalada da violência, a polícia suíça utilizou gás lacrimogêneo para dispersar os grupos mais agressivos.
Segundo testemunhas ouvidas pela Reuters, famílias e crianças que acompanhavam a manifestação também foram afetadas pela fumaça enquanto tentavam deixar a região. Centenas de agentes de choque já estavam mobilizados desde o início do dia, em uma operação preparada diante da expectativa de possíveis confrontos.
Antes do protesto, diversas lojas e estabelecimentos comerciais haviam protegido suas vitrines com placas de madeira por receio de depredações.
Manifestantes criticam concentração de poder
Os participantes afirmaram que o protesto tinha como objetivo denunciar o que consideram uma concentração excessiva de poder político e econômico nas mãos das maiores economias do mundo.
Para a manifestante Pippa Saugy, entrevistada pela Reuters, o G7 representa um sistema que amplia a desigualdade social.
“É uma reunião dos ricos que mostra, mais uma vez, como os ricos podem ficar ainda mais ricos enquanto os pobres são deixados para trás”, afirmou.
Outra participante, Clélia Colin, disse que também queria chamar atenção para questões relacionadas à desigualdade de gênero, afirmando que os valores representados pelo grupo contribuem para ampliar essas diferenças.
Elon Musk também foi alvo das críticas
A escolha de um veículo da Tesla como alvo do protesto ocorreu em meio às críticas dirigidas ao empresário Elon Musk.
A Reuters destaca que, na semana passada, Musk se tornou o primeiro trilionário do mundo e também atua como conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fatores que o transformaram em um símbolo do poder econômico criticado pelos manifestantes.
G7 começa sob forte esquema de segurança

A Cúpula do G7 será realizada entre os dias 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, às margens do Lago de Genebra.
Participam do encontro os líderes da França, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e representantes da União Europeia. Entre os principais temas da agenda estão os conflitos no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as negociações internacionais envolvendo o Irã.
O evento ocorre sob um dos maiores esquemas de segurança já montados para uma cúpula do grupo, com cerca de 16 mil agentes, monitoramento por drones, patrulhamento terrestre e aquático, além do fechamento de dezenas de postos de fronteira entre França e Suíça.
