Presidente participará de debates sobre crescimento econômico, parcerias internacionais e regulação de big techs; encontro bilateral com Donald Trump não está previsto na agenda oficial.
Segundo a CNN Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou neste domingo (14 de junho de 2026) para Évian-les-Bains, na França, onde participará da Cúpula do G7 como líder de um dos países convidados do encontro. A agenda oficial não prevê uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora uma conversa informal entre os dois não esteja totalmente descartada.
De acordo com o Palácio do Planalto, não houve solicitação de um novo encontro entre os presidentes, já que Lula e Trump tiveram uma reunião recente na Casa Branca. A avaliação do governo brasileiro é que não existe, neste momento, necessidade de uma agenda bilateral formal durante a cúpula.
Possibilidade de conversa informal
Embora um encontro oficial esteja praticamente descartado, diplomatas brasileiros consideram possível que Lula e Trump tenham uma conversa rápida durante os eventos da programação, em um formato semelhante ao contato ocorrido na Assembleia Geral das Nações Unidas em 2025.
Nos últimos meses, a relação entre Brasil e Estados Unidos enfrentou momentos de tensão, incluindo divergências sobre tarifas comerciais e a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelas autoridades norte-americanas.
Durante sua participação na cúpula, Lula deverá reforçar temas que têm marcado sua atuação em fóruns internacionais, como a ampliação do espaço dos países emergentes nas decisões globais e a defesa do multilateralismo.
Segundo fontes do governo, o presidente também pretende fazer críticas a medidas consideradas unilaterais e protecionistas, sem mencionar diretamente as políticas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. A estratégia busca preservar o caráter diplomático do encontro, mesmo com Donald Trump presente nas discussões.
Agenda inclui economia e big techs
O Brasil participará das sessões destinadas aos países convidados.
Na terça-feira (16), os debates serão voltados para parcerias internacionais. Já na quarta-feira (17), a programação prevê discussões sobre crescimento econômico equilibrado e um almoço dedicado ao tema da atuação e da responsabilização das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs.
Esses temas são considerados estratégicos pelo governo brasileiro, que defende maior regulação das plataformas digitais e uma governança internacional mais ampla para o setor.
Apesar da ausência de uma reunião com Donald Trump, Lula tem compromissos bilaterais já confirmados com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente da França, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula.
No encontro com a premiê japonesa, um dos principais assuntos será a possível abertura das negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão, iniciativa que o governo brasileiro considera estratégica para ampliar mercados e fortalecer as relações comerciais com a Ásia.
Mercosul busca ampliar acordos
Auxiliares do presidente avaliam que o atual cenário internacional, marcado por disputas comerciais e mudanças nas cadeias globais de produção, criou um ambiente favorável para novas negociações econômicas.
Segundo integrantes do Planalto, as conversas sobre um acordo entre Mercosul e Japão avançaram nos últimos meses, e existe a possibilidade de que o início formal das negociações seja anunciado durante a própria Cúpula do G7 ou na reunião de presidentes sul-americanos prevista para o fim do mês no Paraguai.
Brasil mantém protagonismo internacional
Convidado novamente para participar do encontro das maiores economias industrializadas do mundo, o Brasil busca reforçar sua presença nos debates sobre crescimento econômico, comércio internacional, inovação tecnológica e governança global.
A participação de Lula ocorre em um contexto de reaproximação diplomática com diversos parceiros internacionais e de busca por novos acordos comerciais, ao mesmo tempo em que o governo procura ampliar o protagonismo brasileiro em temas ligados à economia, meio ambiente e regulação das plataformas digitais.
