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Polícia Civil do DF pede aval a Alexandre de Moraes para tomar depoimento de Bolsonaro sobre arma apreendida

Por Igor Alves • 19 de junho de 2026

Pistola registrada em nome de Bolsonaro estava em carro de militar do GSI; ex-presidente pediu ajuda para consertar arma, diz defesa. Se autorizada, oitiva será na próxima semana.

Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) formalizou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tomar o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A oitiva faz parte do inquérito instaurado para investigar a apreensão de uma pistola Glock calibre 9mm, registrada em nome do ex-mandatário, localizada durante uma blitz de trânsito em Brasília.

No ofício encaminhado ao Supremo, o delegado Thiago Silva, responsável pelas investigações, sugeriu que a audiência com o ex-presidente ocorra de forma virtual, por videoconferência, na próxima quarta-feira (24), às 15h. A medida é necessária porque Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária.

O documento policial revela ainda um impasse nos bastidores: os agentes da Polícia Civil tentaram intimar o ex-presidente pessoalmente em sua residência, mas foram barrados.

“A tentativa de cumprimento da intimação pessoal restou infrutífera, uma vez que a equipe de escolta responsável não permitiu a efetivação do ato, impossibilitando a ciência pessoal do intimando”, destacou o delegado no texto.

O flagrante e a justificativa da defesa

O caso teve início na noite de segunda-feira (15), no Pistão Norte, em Taguatinga (DF). O sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, que atua na equipe de escolta oficial de Bolsonaro, foi abordado por policiais militares em um veículo oficial da Presidência da República.

Os policiais de plantão desconfiaram da conduta do motorista e notaram a presença de uma arma de fogo e um carregador sobressalente no assoalho do automóvel. Como o militar não portava o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) correspondente ao item no momento da fiscalização, a pistola acabou recolhida e levada à delegacia. Em seu esclarecimento inicial, o sargento admitiu que o armamento pertencia a Bolsonaro e alegou que o transportava para realizar a manutenção e o reparo de uma pane no mecanismo.

Acionada pela PCDF, a defesa de Jair Bolsonaro confirmou ao STF que o ex-presidente havia solicitado o conserto devido a falhas identificadas no ferrolho da pistola, mas negou qualquer irregularidade no procedimento.

Alerta na execução penal

O episódio complicou a situação jurídica do ex-presidente, que cumpre pena decorrente de sua condenação a 27 anos e três meses de reclusão. O ministro Alexandre de Moraes já havia cobrado explicações urgentes da defesa e da equipe de vistoria do condomínio para entender por que o reeducando mantinha armamentos em casa e como o objeto saiu do perímetro vigiado sem ser detectado.

Nos bastidores do STF, interlocutores apontam que o incidente reduziu drasticamente as chances de renovação da prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro — benefício concedido para tratamento médico pós-hospitalar que expira no fim de junho. Caso Moraes entenda que houve descumprimento das regras ou das medidas cautelares associadas ao regime, o ex-presidente poderá ser obrigado a retornar ao regime fechado convencional.

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Igor Alves
Sobre o autor

Igor Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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