Operação para conter bloqueios na descida para o Porto de Santos resulta em tumulto; ato cobrava a votação da MP do Frete, aprovada pelo Senado horas depois.
O segundo dia da paralisação nacional dos caminhoneiros autônomos registrou um momento de alta tensão na Baixada Santista nesta terça-feira (14 de julho). Policiais militares rodoviários e manifestantes entraram em confronto durante uma operação de controle de fluxo na Via Anchieta, principal rodovia de ligação ao Porto de Santos. A ação foi desencadeada para impedir o bloqueio total do tráfego e garantir a livre circulação de motoristas que optaram por não aderir ao movimento de greve.
Vídeos compartilhados nas redes sociais registraram momentos de empurrões, discussões e o uso de escudos por parte dos agentes de segurança para dispersar grupos que tentavam interceptar caminhões cargueiros. Segundo informações oficiais das autoridades, a despeito do clima hostil no local, não houve registro de prisões ou de feridos com gravidade no incidente.
Motivações e o panorama das mobilizações em Santos

O protesto, liderado na região litorânea pelo Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos da Baixada Santista (Sindicam-Santos), concentrou-se prioritariamente no Viaduto da Alemoa, principal gargalo de acesso ao terminal portuário.
- Pauta de reivindicações: Além de exigir garantias para que as transportadoras cumpram a tabela de preços mínimos estabelecida pela agência reguladora, os manifestantes pleiteavam a isenção de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios e medidas federais para a redução da carga tributária incidente sobre o óleo diesel.
- Contenção no planalto: Como estratégia de gerenciamento de tráfego, a concessionária e a Polícia Militar realizaram retenções temporárias de caminhões ainda no trecho de planalto da rodovia. A medida evitou o acúmulo de veículos na descida da serra e reduziu os impactos viários na região metropolitana da Baixada Santista.
Desmobilização após aprovação de medida provisória no Senado
O cenário de incertezas que motivou o início da greve no dia 13 de julho foi superado nas horas seguintes ao confronto na Via Anchieta. Pressionado pela possibilidade de desabastecimento e pelo prazo de vigência legal da matéria, que expiraria em 16 de julho, o Senado Federal pautou e aprovou, na noite de terça-feira, a Medida Provisória nº 1.343/2026 (MP do Frete).
A aprovação em regime de urgência ocorreu após a costura de um acordo de redação liderado pelo governo e pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O texto final, enviado para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manteve o endurecimento da fiscalização eletrônica sobre as tabelas de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mas retirou os pontos de maior resistência do setor produtivo, como o estabelecimento de um piso salarial de R$ 5 mil mensais para motoristas autônomos.
Com o avanço legislativo da matéria, as lideranças sindicais orientaram a desmobilização dos pontos de concentração nas rodovias, normalizando o tráfego em direção aos portos brasileiros.

