A temperatura política na capital federal atingiu o ponto de fervura. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rompeu os canais de interlocução e manifestou profunda irritação com o Palácio do Planalto após uma nova ofensiva da Polícia Federal que mirou aliados políticos próximos. Em resposta ao isolamento do parlamentar e ao risco de paralisia legislativa, o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou uma contraofensiva digital agressiva utilizando a hashtag #AprovaSenado para pressionar o comando da Casa.
A crise aprofunda o abismo entre o Executivo e o Legislativo, ameaçando diretamente a votação de projetos prioritários para a equipe econômica do governo federal.
A Polícia Federal
Nos bastidores do Congresso, o clima é de guerra declarada. Alcolumbre recebeu a notícia das operações da Polícia Federal como uma “provocação política” chancelada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Interlocutores do presidente do Senado afirmam que ele enxerga o uso do aparato de Estado como uma tentativa de emparedá-lo, especialmente após o senador ter capitaneado a rejeição de nomes indicados pelo Planalto para tribunais superiores.
Como retaliação imediata à ação policial, Alcolumbre:
- Suspendeu reuniões de líderes que definiriam as pautas de votação.
- Sinalizou que deixará em “banho-maria” medidas provisórias de interesse da Fazenda.
- Evitou atender telefonemas de ministros palacianos que tentavam atuar como bombeiros da crise.
A Reação do PT: Pressão popular com #AprovaSenado
Diante do travamento institucional promovido pelo chefe do Senado, a bancada e a Executiva Nacional do PT decidiram mudar a estratégia. Em vez de recuar, a militância e parlamentares governistas inundaram as redes sociais com a campanha #AprovaSenado.
A estratégia visa jogar a opinião pública contra Alcolumbre, associando a irritação pessoal do senador à obstrução de projetos de forte apelo popular, como a PEC da Segurança Pública e pautas de geração de emprego.
“O interesse do país e as pautas dos trabalhadores não podem ficar reféns de melindres políticos ou de investigações policiais”, publicou uma das lideranças do partido na Câmara.
O Risco da Paralisia
A avaliação de analistas políticos é que o governo joga um jogo perigoso ao insuflar as redes contra o presidente do Senado. Embora a campanha #AprovaSenado crie um constrangimento público para Alcolumbre, ela reduz a margem de manobra para uma reconciliação nos bastidores.
Com o calendário legislativo apertado e o recesso parlamentar no horizonte, ministros mais pragmáticos do governo Lula correm contra o tempo para tentar desarmar a bomba e convencer o PT a baixar o tom nas redes, sob o risco de ver toda a agenda econômica do governo naufragar no plenário do Senado.

