Movimento liderado por Wallace Landim, o “Chorão”, pressiona o Senado a votar a Medida Provisória do Piso do Frete antes que ela perca a validade; adesão nacional ainda é incerta
A possibilidade de uma nova greve nacional dos caminhoneiros voltou a mobilizar o setor de transportes e acendeu o alerta entre o governo federal, empresas e consumidores. O movimento foi convocado pelo presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, que defende a paralisação como forma de pressionar o Senado Federal a votar a Medida Provisória do Piso do Frete antes que ela perca a validade, prevista para o próximo dia 16 de julho. Embora o chamado para cruzar os braços tenha ganhado repercussão nacional, ainda não há consenso sobre o tamanho da adesão da categoria nem sobre a capacidade do movimento de repetir os impactos registrados na histórica greve de 2018.
Segundo Chorão, a principal reivindicação é garantir a aprovação da medida provisória que fortalece os mecanismos de fiscalização e cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário. Na avaliação da entidade, muitos transportadores continuam recebendo valores abaixo do estabelecido em lei, situação agravada pelo aumento dos custos operacionais, especialmente com combustível, manutenção dos veículos, pneus e peças. O líder da Abrava afirmou que a paralisação poderá ser encerrada assim que o Senado votar a proposta, mas ressaltou que a categoria está disposta a manter a pressão caso o texto perca a validade sem deliberação.

Apesar da mobilização, diferentes entidades representativas dos caminhoneiros adotaram posições distintas sobre a paralisação. Algumas organizações demonstraram apoio às reivindicações relacionadas ao piso do frete, mas evitam endossar oficialmente uma greve nacional, enquanto outras defendem que a negociação com o governo e o Congresso continue antes de qualquer interrupção das atividades. Essa falta de consenso faz com que ainda exista incerteza sobre o alcance do movimento e sobre a quantidade de profissionais que efetivamente deixarão de transportar cargas nos próximos dias.
A preocupação do governo e do setor produtivo decorre principalmente das lembranças da greve de maio de 2018, considerada a maior paralisação da história da categoria. Na ocasião, bloqueios em rodovias de praticamente todo o país interromperam o abastecimento de combustíveis, alimentos, medicamentos e insumos industriais, provocando prejuízos bilionários para diversos setores da economia. A crise levou ao fechamento temporário de fábricas, cancelamento de voos, suspensão de aulas e longas filas em postos de combustíveis, além de obrigar o governo federal a negociar um pacote de medidas para atender parte das reivindicações dos caminhoneiros.
Desta vez, porém, o cenário apresenta diferenças importantes. A mobilização está concentrada principalmente na defesa da votação da Medida Provisória do Piso do Frete, e as lideranças afirmam que a intenção não é promover bloqueios generalizados de rodovias. Ainda assim, especialistas avaliam que uma paralisação com ampla adesão pode afetar o transporte de mercadorias e gerar impactos sobre cadeias logísticas, principalmente nos setores de alimentos, combustíveis e produtos industrializados. Empresas e distribuidoras acompanham a evolução do movimento para avaliar possíveis planos de contingência caso a greve ganhe força.
Enquanto isso, o Senado é pressionado a colocar em votação a medida provisória antes do prazo final. Caso o texto perca a validade sem ser aprovado, lideranças dos caminhoneiros afirmam que a categoria poderá ampliar a mobilização. Até o momento, entretanto, não há confirmação de uma paralisação nacional com adesão massiva, e o próprio movimento segue sendo acompanhado com cautela por autoridades e representantes do setor de transportes. O desfecho das negociações nos próximos dias deverá definir se o país enfrentará apenas um protesto pontual ou uma mobilização de maior alcance, capaz de produzir reflexos na economia brasileira.

