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O Ministério Público de São Paulo afirma que uma empresa registrada em nome da mãe e do padrasto de um tenente-coronel da Polícia Militar foi usada para formalizar pagamentos a policiais que prestavam segurança particular a dirigentes da Transwolff e da UPBUS, empresas investigadas por ligação com o Primeiro Comando da Capital.
A denúncia foi apresentada em 26 de agosto à Justiça Militar de São Paulo. O documento acusa quatro policiais de integrar uma organização criminosa: o capitão Alexandre Paulino Vieira, o tenente-coronel José Henrique Martins Flores, o segundo-sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário e o terceiro-sargento reformado Nereu Aparecido Alves.
Segundo o MPSP, o grupo não atuava apenas na proteção física dos empresários. Os policiais teriam oferecido escolta, vigilância de garagens, proteção de familiares, transporte de valores e recrutamento de outros agentes. A Promotoria sustenta ainda que a imagem e a credibilidade da corporação eram utilizadas para criar uma espécie de blindagem institucional e reputacional para os dirigentes.
Empresa estava em nome de familiares
A empresa apontada na denúncia pertence ao Grupo AM3 e foi criada em 2013, com sede na zona norte de São Paulo. Formalmente, a mãe de Flores aparecia como sócia de uma das empresas, enquanto o padrasto constava como responsável por outra companhia do mesmo grupo.
Os familiares, no entanto, moravam no interior do estado, a mais de 500 quilômetros da sede. Para o MPSP, a estrutura servia para afastar formalmente o tenente-coronel da administração de negócios, uma atividade incompatível com as restrições impostas a oficiais da Polícia Militar.
A própria mãe do oficial teria afirmado aos investigadores que o filho administrava a empresa ao lado de um gestor contratado. Esse funcionário também teria relatado que prestava contas diretamente ao tenente-coronel e seguia suas orientações.
Imagens de câmeras citadas na denúncia teriam registrado Flores dentro da sede da empresa em janeiro de 2026. Segundo a acusação, a companhia passou a ser utilizada a partir de 2020 para emitir notas fiscais relacionadas aos serviços de segurança prestados aos dirigentes das empresas de transporte.
Pagamentos cresceram após operação
O contrato de segurança previa inicialmente pagamentos mensais de R$ 30.905. O valor passou para R$ 42.513,43 em abril de 2024, um dia depois da deflagração da Operação Fim da Linha, e chegou a R$ 44.639,10 em janeiro de 2025.
A evolução representa aumento de aproximadamente 44% em relação ao valor registrado em 2021. Para a Promotoria, o reajuste e a continuidade dos pagamentos depois da operação policial são elementos que precisam ser considerados na análise da suposta estrutura criminosa.
Defesa
A defesa de Alexandre Paulino Vieira afirma que o capitão é inocente e nunca integrou organização criminosa. Os advogados de Nereu também negam as acusações e sustentam que o dinheiro encontrado em sua casa pertencia a Ricardo Barnabé e tinha origem lícita.
A Transwolff declarou que repudia qualquer tentativa de associação com organizações criminosas e que continua colaborando com as autoridades. Até a atualização das informações consultadas, as defesas de Alexandre Romano Cezário e José Henrique Martins Flores não haviam se manifestado sobre a denúncia.
Fontes
1.Metrópoles — MPSP diz que PM usava empresa em nome de familiares em esquema com PCC
2.Metrópoles — MPSP denuncia PMs por esquema de segurança para empresários ligados ao PCC
3.CNN Brasil — MP denuncia PMs por atuação em esquema de segurança da Transwolff em SP
4.Diário do Transporte — MP denuncia policiais da ROTA por suposta ligação com diretores da Transwolff

