Há algo de profundamente melancólico na tentativa obstinada de lavar aquilo que não se limpa. A cena que se desenha diante dos olhos da nação tem contornos de uma verdadeira “Lavanderia Nacional”: um esforço hercúleo, ruidoso e incessante para esfregar, enxaguar e centrifugar aquilo que o tempo e a realidade teimam em expor.
Entram em ação os detergentes mais caros do vocabulário jurídico, os amaciantes de discursos polidos e as máquinas ajustadas para ciclos de lavagem ideológica rápida. Esfregam-se as mantas, penduram-se conceitos no varal da opinião pública e acionam-se centrífugas para girar a versão dos fatos até que a tontura coletiva substitua a lucidez. Tenta-se, a todo custo, remover as manchas incômodas das decisões do passado, como se o sabão pudesse apagar a memória dos fatos.
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