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A Polícia Federal (PF) apreendeu R$ 1,2 milhão em espécie dentro de duas malas e afastou 12 servidores do exercício de suas funções em uma empresa pública federal sediada em Belém (PA). A ação ocorreu durante a Operação Sonar, deflagrada nesta terça-feira (15) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).
O dinheiro foi encontrado em posse de um dos investigados, que foi preso em flagrante pelo crime de lavagem de capitais, na modalidade de ocultação de valores, por não comprovar a origem lícita da quantia. Os investigadores contaram o dinheiro com o auxílio de uma máquina.
A operação cumpre 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Pará, em endereços residenciais, empresariais e institucionais. A PF não divulgou o nome da empresa pública investigada.
O que a investigação apura
Segundo a PF, as investigações apontam para um esquema estruturado de desvio de recursos públicos que envolvia:
- Retenção de faturas: fornecedores que já haviam prestado serviços tinham seus pagamentos retidos e eram pressionados a pagar comissões em dinheiro vivo para liberar os valores devidos.
- Direcionamento de contratações: situações emergenciais teriam sido artificialmente criadas para beneficiar empresas previamente ajustadas.
- Ocultação de valores: empresas sem estrutura operacional e pessoas interpostas eram usadas para dissimular a origem do dinheiro obtido [7][9].
Medidas cautelares determinadas pela Justiça
Além das prisões e apreensões, a Justiça Federal determinou uma série de medidas para desarticular o suposto esquema:
- Afastamento de 12 servidores: os investigados foram suspensos de suas funções, proibidos de acessar as dependências e os sistemas da empresa e impedidos de manter contato entre si e com fornecedores.
- Bloqueio patrimonial de R$ 17 milhões: para garantir a recuperação de ativos e a reparação do dano ao erário.
- Quebra de sigilo de 35 investigados: os sigilos bancário e fiscal dos envolvidos foram afastados.
- Suspensão de contratos: contratos e cessões de uso vinculados às empresas sob suspeita foram paralisados.
Durante as buscas, também foram apreendidos joias, veículos, documentos, dispositivos informáticos e mídias de armazenamento, que serão submetidos à perícia [1][7]. Os valores e bens apreendidos permanecem à disposição da Justiça Federal.
Crimes investigados
Os investigados podem responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, peculato, concussão, corrupção passiva, crimes em licitações e contratos administrativos, falsidade ideológica e lavagem de capitais.
O material apreendido será analisado pela Polícia Federal, e a investigação segue em curso para identificar todos os envolvidos e a extensão do esquema. A corporação não informou prazos para a conclusão do inquérito.

Referências
[1] Metrópoles — PF acha malas recheadas com R$ 1 milhão em operação contra desvio de verba. Disponível em: https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/pf-acha-mala-recheada-com-r-1-milhao-em-operacao-contra-desvio-de-verba
[2] Metrópoles — Malas com R$ 1 milhão: entenda operação da PF que afastou 12 servidores. Disponível em: https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/malas-com-r-12-milhao-entenda-operacao-da-pf-que-afastou-12-servidores
[7] Polícia Federal — PF e CGU investigam desvio de recursos públicos federais no Pará. Disponível em: https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/pf-e-cgu-apuram-desvio-de-recursos-publicos-federais-no-para
Nota editorial:
As informações relatadas nesta matéria refletem comunicado oficial da Polícia Federal e reportagens de veículos de imprensa sobre a Operação Sonar, deflagrada em 15 de setembro de 2026. A operação cumpre mandados de busca e apreensão e resultou na prisão em flagrante de um investigado, mas não representa condenação dos envolvidos. As suspeitas sobre desvio de recursos públicos, cobrança de propina e direcionamento de licitações estão em fase de investigação e não há, até o momento, decisão judicial sobre o mérito. O nome da empresa pública federal investigada não foi divulgado pela PF. O espaço para manifestação das defesas permanece aberto.

