Eleições 2026

Convenções partidárias começam com indefinições sobre vice, palanques e alianças na disputa presidencial

Por Luiz Gomes • 21 de julho de 2026

Com Sthefany Paixão

O período de convenções partidárias para as eleições de 2026 começou nesta segunda-feira (20) com decisões centrais da disputa presidencial ainda em aberto. Temas como a escolha dos vices, a montagem de palanques estaduais e a composição das principais alianças políticas seguem em negociação entre os presidenciáveis. O prazo para a realização dos encontros vai até 5 de agosto.

O primeiro a oficializar o nome foi Renan Santos, do partido Missão, que vai concorrer à Presidência. O evento foi realizado online e sem transmissão. O candidato antecipou o ato por motivos de segurança, após relatar ameaças de facções criminosas. O vice na chapa será o militar da reserva Aroldo Medina.

Flávio Bolsonaro: indefinição sobre vice e palanques

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentra algumas das principais indefinições. Sua convenção está marcada para 25 de julho, em São Paulo, e o pré-candidato chega à etapa com impasses em diferentes frentes, entre elas a escolha do nome que ocupará a vice em sua chapa.

Há consenso na pré-campanha sobre a necessidade de escolher uma mulher para o posto, como forma de reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino — questão que ganhou peso após a crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O consenso, porém, não se estende ao perfil da escolhida.

De um lado, estão nomes mais identificados com o núcleo ideológico do bolsonarismo, como Bia Kicis (PL-DF) e Júlia Zanatta (PL-SC). De outro, opções vistas como mais técnicas e moderadas, como a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Na quinta-feira (16), Flávio reiterou a preferência por uma mulher e citou Daniella, além das deputadas do PP Simone Marchetto (SP) e Clarissa Tércio (PE).

A decisão esbarra ainda na construção de alianças com outras legendas. O Republicanos condiciona uma possível adesão a acordos estaduais ainda pendentes. Em troca do apoio a Flávio, a legenda busca o respaldo do PL a candidaturas a governos e ao Senado em diferentes estados. Neste momento, integrantes do partido apontam tendência de neutralidade na corrida ao Planalto.

Os palanques estaduais também seguem incompletos. Em Minas Gerais, a pré-campanha trabalha com dois caminhos: uma aliança com o senador Cleitinho (Republicanos) ou o lançamento de candidatura própria, com nomes como o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. No Rio de Janeiro, embora o senador Carlos Portinho (PL-RJ) já tenha sido anunciado para o Senado, o partido aguarda uma decisão da federação União Progressista sobre a manutenção do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) na chapa, após ele ser alvo de operação da PF.

Integrantes do PL apontam que algumas decisões avançaram mais lentamente do que na campanha de Jair Bolsonaro em 2022, quando o então presidente já havia anunciado o vice, encaminhado palanques e contava com apoio de Republicanos, União Brasil e PP.

Lula: Minas Gerais encaminhado, mas vice e Senado em aberto

A pré-campanha de Lula também chega às convenções com definições pendentes. Em Minas Gerais, o quadro está praticamente encaminhado: o deputado federal Patrus Ananias aceitou disputar o governo estadual, com anúncio feito nesta segunda-feira (20). A chapa, porém, não está fechada. O PT busca agora um vice para o estado, com preferência por oferecê-lo ao PSB.

A composição para o Senado também segue indefinida. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) deverá concorrer a uma das duas vagas, enquanto a segunda pode ficar com o PSB ou ser oferecida à ex-deputada Áurea Carolina (PSOL), caso alguma negociação com a federação PSOL/Rede avance.

Em Goiás, o PT decidiu manter a pré-candidatura do ex-deputado Luís César Bueno ao governo estadual, com orientação de aguardar a ratificação do comando nacional. A convenção estadual está marcada para 4 de agosto, em Goiânia.

Caiado e Zema: vices e palanques

Ronaldo Caiado (PSD) será oficializado em convenção nacional no dia 26 de julho, em São Paulo, com Gilberto Kassab, presidente da legenda, como vice em sua chapa. O principal tema do encontro será a independência dos diretórios estaduais para definir seus próprios palanques na disputa presidencial, permitindo que apoiem outros candidatos conforme alianças locais. Lula, por exemplo, deverá contar com palanques do PSD no Rio de Janeiro, Amazonas, Mato Grosso e Sergipe.

Romeu Zema (Novo) será oficializado no dia 27 de julho, em Brasília, mas a escolha do vice deverá ficar para depois. A tendência é que a decisão seja delegada à Executiva Nacional, para ganhar tempo e manter espaço para composições com partidos atualmente neutros ou alinhados a Flávio.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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