Washington— 11 de agosto de 2026
Segundo o The Washington Post, um memorando do Departamento de Guerra, obtido pelo jornal, mostra que o governo Trump pressiona a indústria de defesa a aumentar a produção de armas e munições. O subsecretário do Pentágono, Steve Feinberg, enviou o documento a empresas contratadas pelas Forças Armadas, ordenando que apresentem planos para ampliar a produção e entrega de armas em até 21 dias.
Estoques de mísseis Patriot e Tomahawk sofrem forte retração

Dados do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) revelam que o estoque de mísseis do sistema de defesa Patriot sofreu forte retração. Das 2.330 unidades disponíveis antes do conflito, o total caiu para 1.030 em abril, durante o primeiro cessar-fogo, registrando entre 759 e 827 unidades no final de julho. A estimativa do CSIS é que a recomposição dos estoques de Patriot só ocorra em meados de 2029, enquanto mísseis de cruzeiro como o Tomahawk podem levar até cinco anos para retornar aos níveis anteriores.

A deficiência se confirmou no confronto direto. Embora os ataques de EUA e Israel tenham eliminado alvos e lideranças iranianas, a retaliação de Teerã exigiu o consumo massivo e não planejado de mísseis interceptadores. O uso de drones, um recurso de baixo custo que assumiu papel central nos confrontos modernos, também tem pressionado os arsenais americanos.
Gargalos estruturais e alerta estratégico
Especialistas apontam falhas estruturais na alocação dos recursos militares. “O problema é que os planejadores militares não têm aplicado esses recursos de forma adequada em iniciativas que realmente contribuam para a segurança dos EUA e de aliados”, afirmou Benjamin Freeman, diretor do programa de Democratização da Política Externa do Instituto Quincy.
A origem do gargalo produtivo remonta ao fim da Guerra Fria, quando Washington migrou do planejamento para conflitos contra superpotências para o foco em forças menores, voltadas a combates regionais. “A indústria passou a operar com encomendas menores e ciclos de produção adequados a guerras limitadas, e não a conflitos prolongados e de alto consumo de munições”, explicou o coronel da reserva Paulo Filho.
Embora especialistas descartem uma vulnerabilidade total e imediata dos EUA perante a China, o esgotamento dos arsenais altera os cálculos geopolíticos.
“A redução dos estoques representa uma vulnerabilidade específica e circunstancial, capaz de afetar os cálculos estratégicos americanos e a percepção de seus adversários”, avaliou Paulo Filho.
Fonte: The Washington Post

