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Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos, entre eles o senador independente Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, enviou na quinta-feira (24) uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando o governo de Donald Trump de promover uma “campanha de interferência” nas eleições brasileiras de outubro. O documento, liderado pela deputada Delia Ramirez, pede que os EUA se comprometam a reconhecer o resultado oficial do pleito e mantenham “relações diplomáticas normais” com o candidato eleito, “independentemente de qual candidato seja escolhido pelos eleitores”.
A carta lista uma série de medidas adotadas pelo governo americano que, segundo os congressistas, visam favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Entre elas estão: a imposição de tarifas e sanções associadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF; a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes; a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, anunciada dois dias após Flávio pedir a medida a Trump na Casa Branca, em maio; a nomeação de Darren Beattie, descrito como “conhecido extremista de direita e supremacista branco”, como assessor sênior para assuntos do Brasil; a tentativa de enviar dois funcionários do Departamento de Estado para questionar o sistema eleitoral brasileiro, cujos vistos foram negados; e a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, como represália.
“Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos atuam como agentes de interferência e desestabilização, exercendo pressão diplomática, econômica e política de maneiras que podem enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar danos adicionais à nossa relação com um aliado estratégico”,
afirma um trecho da carta.
Os parlamentares compararam a postura da gestão Trump à do governo Joe Biden em 2022, quando os EUA apoiaram o sistema eleitoral brasileiro e reconheceram o resultado das urnas. “As ações do governo estadunidense refletem um amplo e profundamente preocupante padrão de interferência da administração Trump nos recentes processos eleitorais na América Latina”, acrescentaram, citando as eleições na Colômbia, em Honduras e na Argentina.
O documento dá prazo até 1º de outubro para que o Departamento de Estado apresente respostas sobre os critérios das medidas. O governo Trump nega as acusações. O Departamento de Estado já afirmou que “qualquer alegação de tentativa de enfraquecer as eleições brasileiras é falsa” e declarou respeitar a escolha dos eleitores brasileiros. A carta foi divulgada dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usar o púlpito da Assembleia-Geral da ONU, em 22 de setembro, para criticar a “ingerência externa em processos eleitorais”. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou Lula, sob aplausos.
Referências
[1] Agência Brasil — Parlamentares dos EUA criticam ações de Trump nas eleições do Brasil. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-09/parlamentares-dos-eua-criticam-acoes-de-trump-nas-eleicoes-do-brasil
[2] BBC News Brasil — O que diz carta de parlamentares dos EUA que acusam governo Trump de interferência nas eleições brasileiras. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9x2zm3gpv74o
[3] Poder360 — Democratas dos EUA acenam a Lula e dizem que Trump interfere no Brasil. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/democratas-dos-eua-acenam-a-lula-e-dizem-que-trump-interfere-no-brasil/
[4] Opera Mundi — Bernie Sanders e 30 democratas questionam Trump sobre interferência eleitoral no Brasil. Disponível em: https://operamundi.uol.com.br/eleicoes-2026-brasil/bernie-sanders-e-30-democratas-questionam-trump-sobre-interferencia-eleitoral-no-brasil/
[5] Jovem Pan — Congressistas dos EUA acusam Trump de tentar interferir na eleição brasileira. Disponível em: https://jovempan.com.br/mundo/congressistas-dos-eua-acusam-trump-de-tentar-interferir-na-eleicao-brasileira/
Nota Editorial
As informações relatadas nesta matéria refletem a carta enviada por 31 parlamentares dos Estados Unidos ao secretário de Estado Marco Rubio em 24 de setembro de 2026, e reportagens da Agência Brasil, BBC News Brasil, Poder360, Opera Mundi e Jovem Pan. As acusações de interferência são alegações dos congressistas signatários e não constituem conclusão oficial do governo americano ou de organismos internacionais. O Departamento de Estado nega as acusações e afirma respeitar a escolha dos eleitores brasileiros. A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e a aplicação da Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes são medidas oficiais do governo dos EUA, mas a motivação política apontada na carta é uma interpretação dos parlamentares. O prazo para resposta do Departamento de Estado termina em 1º de outubro. O espaço para manifestação de todos os envolvidos permanece aberto.

