Brasil

Governo Lula vê ganho político mesmo que Congresso não aprove fim da 6×1

Por Stephanie Paixao • 27 de maio de 2026
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O governo Lula avalia o debate sobre o fim da escala 6×1 como um dos seus principais trunfos políticos para a reeleição, independentemente de uma aprovação final no Congresso. No Palácio do Planalto, a percepção é de que a pauta já gera dividendos expressivos por conectar o presidente a uma demanda com amplo respaldo popular.

O governo federal e a Câmara dos Deputados fecharam um acordo para o fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso), estabelecendo uma regra de transição para a redução da jornada semanal. De acordo com a notícia, as principais mudanças ocorrerão em duas etapas após a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC):

  • Em 60 dias: O trabalhador passará a ter dois dias de folga por semana (início da escala 5×2) e a jornada semanal será reduzida de 44 para 42 horas.
  • Em 12 meses: A jornada deverá ser reduzida definitivamente para 40 horas semanais.

Os principais pontos dessa análise política sobre a vantagem do governo Lula são:

  • Vitória Narrativa mesmo sem Aprovação: O núcleo político do governo acredita que, caso a proposta seja derrotada no Senado (onde há maior resistência empresarial), Lula poderá explorar o tema eleitoralmente, afirmando que defendeu a melhoria das condições de trabalho enquanto seus adversários se posicionaram contra.
  • Apoio Popular Massivo: Pesquisas indicam que 71% dos brasileiros são favoráveis à redução da jornada. Esse apoio é tão forte que até o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu que, se a oposição não aprovar a medida, “Lula ganha a eleição”, o que forçou o partido a mudar sua estratégia de obstrução total para uma busca por compensações fiscais.
  • Renovação da Agenda Social: O governo busca no fim da escala 6×1 uma pauta que vá além de programas como o Bolsa Família, que já são vistos pela população como políticas permanentes de Estado e não mais como diferenciais de um governo específico. A medida serve para renovar a conexão com trabalhadores urbanos e jovens.
  • Desgaste para a Oposição: A estratégia governista aposta que o debate público constrangerá parlamentares que votarem contra, especialmente no Senado, onde dois terços das cadeiras estarão em disputa nas próximas eleições.

Apesar do otimismo político, o setor produtivo alerta para o que chama de “terrorismo econômico”, prevendo que a medida pode reduzir o PIB em 0,7% e elevar custos trabalhistas em até 7%, caso não haja ganho de produtividade.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que esse prazo de um ano permite que os setores produtivos se organizem para a mudança. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, destacou que a medida atende a um forte apelo da classe trabalhadora, especialmente de jovens e mulheres, visando reduzir o adoecimento causado pela carga exaustiva.

Além da mudança na jornada, o acordo prevê discussões futuras sobre:

  • Microempreendedores Individuais (MEIs): Há uma proposta para que os MEIs possam contratar mais empregados e tenham seu limite de faturamento aumentado para compensar a redução da jornada.
  • Exceções setoriais: Eventuais regras específicas para diferentes setores da economia serão tratadas posteriormente por meio de um projeto de lei com urgência constitucional.

A votação da proposta na Comissão Especial está prevista para esta quarta-feira (27/05/2026), seguindo para o Plenário da Câmara na quinta-feira (28/05/2026).