Economia

Sete cidades concentram o interesse para a expansão de data centers no Brasil

Por Stephanie Paixao • 10 de julho de 2026

Estudo inédito revela que investidores priorizam municípios com subestações elétricas prontas para suportar o alto consumo exigido pela Inteligência Artificial.

O avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização de serviços públicos e privados tem acelerado a demanda por data centers em todo o mundo, colocando o Brasil no radar de grandes empresas de tecnologia e fundos internacionais de investimento. Nos últimos meses, pelo menos sete cidades brasileiras passaram a concentrar projetos de expansão ou instalação dessas estruturas, consideradas essenciais para o funcionamento de plataformas digitais, serviços financeiros, comércio eletrônico, streaming, aplicações de IA e sistemas governamentais.

A movimentação reflete um cenário de forte crescimento da economia digital. À medida que empresas e consumidores produzem volumes cada vez maiores de informações, cresce também a necessidade de instalações capazes de armazenar, processar e proteger esses dados com alta disponibilidade e baixo tempo de resposta. Nesse contexto, o Brasil surge como um dos mercados mais promissores da América Latina, impulsionado pelo tamanho de sua população conectada, pela expansão do mercado de tecnologia e pelo aumento da demanda por serviços digitais.

Apesar do potencial econômico, a instalação de data centers exige uma combinação de fatores que vai muito além da disponibilidade de terrenos. Infraestrutura elétrica robusta, acesso à água para sistemas de resfriamento, conectividade por fibra óptica, proximidade de cabos submarinos e estabilidade regulatória são alguns dos critérios avaliados pelas empresas antes de definir onde investir. Esses requisitos explicam por que determinados municípios passaram a disputar projetos que podem movimentar bilhões de reais e gerar empregos altamente qualificados.

Sete cidades concentram a nova corrida tecnológica

Segundo levantamento da CNN Brasil, São Paulo (SP), Barueri (SP), Santana de Parnaíba (SP), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Maringá (PR) estão entre as cidades que concentram projetos de expansão ou negociações para receber novos data centers. Cada uma reúne características consideradas estratégicas, como oferta de energia, infraestrutura de telecomunicações, incentivos fiscais e localização privilegiada para distribuição de dados.

O estudo identificou áreas técnicas aptas a receber os empreendimentos de hiperescala, distribuídas em três estados diferentes:

  • Nova Iguaçu (RJ): Lidera o levantamento com nove áreas mapeadas com potencial de atração.
  • Joinville (SC): Apresenta oito áreas qualificadas para receber a infraestrutura digital.
  • Ponta Grossa (PR): Empata com o município catarinense, registrando oito terrenos potenciais.
  • Queimados (RJ): Concentra cinco áreas estruturadas para suportar a alta carga elétrica.
  • Sorocaba (SP): Dispõe de quatro áreas identificadas pelo relatório imobiliário.
  • Rio de Janeiro (RJ): Registra quatro terrenos mapeados dentro do perímetro urbano da capital.
  • Araraquara (SP): Fecha a lista com duas áreas com infraestrutura de conexão avaliadas.

Preocupação regulatória e descentralização

A concentração dos projetos no eixo estrutural do Rio de Janeiro e de São Paulo, contudo, gera alertas por parte de órgãos reguladores e especialistas. Relatórios setoriais indicam que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) manifesta preocupação com o adensamento excessivo do processamento de dados nas grandes metrópoles, apontando riscos para a segurança cibernética e para a resiliência do sistema nacional de dados em caso de falhas sistêmicas de infraestrutura. A recomendação da agência reguladora e do Ministério das Comunicações é incentivar o espalhamento geográfico dessas instalações por outras regiões do território nacional.

Adicionalmente, analistas do setor elétrico reforçam a necessidade de integrar as políticas de incentivo à infraestrutura digital com o planejamento de expansão da matriz de geração e transmissão. Como os data centers de hiperescala operam sob regime ininterrupto e exigem altos índices de refrigeração e redundância energética, o crescimento desordenado do segmento pode pressionar os recursos hídricos e elétricos locais se não houver planejamento conjunto com os operadores do sistema de energia.

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

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