O influenciador, empresário e comentarista político Paulo Figueiredo Filho, apontado como um dos principais conselheiros estratégicos e formuladores de narrativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está no centro de um novo desgaste político para o clã da família do ex-presidente. Levantamentos oficiais junto aos sistemas de controle fiscal do governo federal revelaram que o neto do ex-presidente da ditadura militar João Baptista Figueiredo possui um passivo milionário com o Estado, estando inscrito na Dívida Ativa da União por débitos que somam R$ 5,1 milhões.
A revelação do rombo tributário joga luz sobre as contradições do ecossistema político da extrema-direita e gerou munição imediata para a oposição no Congresso, que passou a explorar o fato de um dos maiores críticos da máquina estatal ser, ele próprio, um devedor de grande porte dos cofres públicos.
Impostos e multas acumuladas
De acordo com os dados obtidos junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a cobrança que pesa contra Paulo Figueiredo envolve o não pagamento crônico de impostos federais atrelados às suas atividades empresariais e rendimentos individuais ao longo dos últimos anos. O montante de R$ 5,1 milhões engloba o valor principal sonegado, juros de mora acumulados, correção monetária pela taxa Selic e multas pesadas aplicadas por órgãos de fiscalização da Receita Federal.
Estar inscrito na Dívida Ativa da União significa que o processo administrativo de cobrança esgotou-se e o governo federal agora move ações de execução fiscal, buscando o bloqueio e a penhora de bens do comentarista em solo brasileiro para ressarcir o erário.
Influência sobre Flávio Bolsonaro
Apesar do expressivo passivo financeiro com a união, Figueiredo ostenta prestígio e trânsito livre na cúpula do bolsonarismo. Morando nos Estados Unidos, ele atua como uma espécie de consultor informal e mentor ideológico de Flávio Bolsonaro, com quem mantém contato frequente para desenhar estratégias de comunicação.
Sua influência é vista no tom adotado pelo senador fluminense nas redes sociais e na escolha de pautas de oposição ao governo federal. Figueiredo é uma das vozes que moldam o pensamento da ala jovem da direita, defendendo o liberalismo econômico radical e o enxugamento do Estado — um discurso que contrasta diretamente com a sua situação de inadimplência perante a arrecadação pública nacional.
Alvo do STF e Histórico de Bloqueios
Esta não é a primeira vez que o nome do influenciador aparece nos relatórios das autoridades em Brasília. Figueiredo já é alvo de inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que investigam a articulação de milícias digitais, a propagação em massa de desinformação sobre o sistema eleitoral e o financiamento de atos de teor antidemocrático.
No âmbito dessas investigações criminais, o comentarista já teve as contas bancárias no Brasil congeladas, o passaporte cancelado e as suas redes sociais bloqueadas por determinação judicial. Como reside no exterior, ele tem utilizado canais alternativos e transmissões internacionais para manter sua audiência ativa e exercer influência política, operando em uma zona cinzenta onde as ordens da Justiça brasileira encontram dificuldades práticas de cumprimento imediato.

