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Vorcaro encomendou dossiê contra CEO do Itaú, aponta PF

Por Luiz Gomes • 10 de julho de 2026

O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, encomendou um dossiê com informações pessoais e patrimoniais contra Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco, e sua esposa, Camila Moretti Maluhy. A revelação foi feita pela Polícia Federal (PF) com base em mensagens obtidas durante a 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (9) em Brasília, que investiga um esquema de manipulação de informações e intimidação.

Pedido de Levantamento e Articulação do Esquema

As mensagens interceptadas pela PF mostram que Daniel Vorcaro solicitou ao publicitário Thiago Miranda, apontado como o principal articulador do esquema, um “levantamento” sobre Milton Maluhy. Vorcaro expressou que o CEO do Itaú estava lhe “causando muito problema”, ao que Miranda respondeu: “Deixa comigo”. Em uma conversa posterior, Miranda informou a Vorcaro que o material estava pronto, mas que desejava veiculá-lo “por outro veículo”, sugerindo uma estratégia de disseminação.

Thiago Miranda é considerado pela PF como peça central na articulação de frentes voltadas à manipulação de informações e à cooptação de profissionais para descredibilizar desafetos da organização criminosa associada a Daniel Vorcaro. A investigação aponta que Miranda atuava diretamente na contratação de agências para estruturar campanhas de desinformação nas redes sociais, além de aliciar influenciadores digitais e jornalistas com ofertas financeiras que chegavam a até R$ 2 milhões por postagens coordenadas.

Conteúdo do Dossiê e Contexto da Operação

Os investigadores encontraram um documento intitulado “Família Maluhy Relatório sobre Execução Fiscal – Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy”, que continha informações pessoais e patrimoniais do CEO do Itaú e de sua esposa. O arquivo, elaborado com a identidade visual da Agência Mithi, empresa vinculada a Thiago Miranda, trazia o aviso de “informações confidenciais”, indicando a natureza sigilosa e o propósito do levantamento.

A Operação Compliance Zero, em sua 10ª fase, tem como objetivo apurar indícios de ações coordenadas em redes sociais para comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central (BC). A PF também investiga a possível atuação de um grupo dedicado à intimidação de jornalistas e ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades. O ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou os mandados de busca e apreensão, ressaltando o alto grau de periculosidade da organização criminosa, que, segundo ele, possui “contornos de máfia”.

Motivações e Outros Alvos

As conversas entre Vorcaro e Miranda, datadas de fevereiro de 2025, ocorreram um mês antes do anúncio da compra do Banco Master pelo BRB. Naquele período, o Itaú pressionava o Banco Central nos bastidores para intensificar a fiscalização sobre o Banco Master, cujos indicadores já apresentavam deterioração desde o primeiro semestre de 2024, conforme detectado pela autoridade monetária. Após a liquidação do Master pelo BC em novembro de 2025, o CEO do Itaú criticou o impacto das fraudes no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e defendeu mudanças na regulação do setor.

Além do CEO do Itaú, a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, também foi alvo de monitoramento. A PF identificou discussões entre Thiago Miranda e Daniel Vorcaro sobre estratégias para lidar com as reportagens da jornalista relacionadas ao Banco Master. Os investigadores apontaram a existência de um “constante levantamento de informações de informações de natureza pessoal, profissional e patrimonial” sobre Malu Gaspar, com o objetivo de encontrar elementos “desabonadores ou sensíveis” para “constranger, descredibilizar ou expor a jornalista publicamente”.

Próximos Passos da Investigação

Apesar dos indícios de autoria e materialidade, a Polícia Federal aponta a existência de lacunas probatórias relevantes quanto à real dimensão dos ilícitos e à identificação de outras pessoas que integravam o “time” utilizado por Thiago Miranda para executar os levantamentos contra os desafetos da organização criminosa. A defesa de Thiago Miranda refutou as acusações, afirmando que seu cliente sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade e transparência, e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

O Itaú Unibanco, por sua vez, informou que não irá se manifestar sobre o caso. A investigação prossegue para detalhar a extensão do esquema e identificar todos os envolvidos nas ações de manipulação e intimidação.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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