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A jornalista e ativista norte-americana Gloria Steinem, uma das principais vozes do movimento feminista nos Estados Unidos, morreu aos 92 anos.
De acordo com a fundação, Steinem faleceu “de forma pacífica” em sua casa em Nova York na quarta-feira (2), cercada por pessoas próximas. A causa da morte não foi divulgada. Em comunicado, a organização afirmou que ela “continuou trabalhando pela igualdade até o fim”.
Trajetória no jornalismo e ativismo
Steinem emergiu como nome forte da segunda onda do feminismo nos EUA no fim da década de 1960. Antes, trabalhou como jornalista e ganhou notoriedade em 1963 ao se disfarçar de “coelhinha da Playboy” para investigar as condições de trabalho das garçonetes nos clubes da empresa.
Em 1968, escreveu o artigo “Depois do ‘Black Power’, a Libertação das Mulheres” na New York Magazine, que ajudou a fundar. O texto a consolidou como líder feminista. Dois anos depois, esteve na capa da Newsweek, que a chamou de “A Nova Mulher”.
Fundação de organizações e publicações
Em 1971, Steinem fundou o National Women’s Political Caucus, ao lado das ex-deputadas Bella Abzug e Shirley Chisholm e da escritora Betty Friedan. Também criou a Coalizão de Mulheres Sindicalistas, o Centro de Mídia de Mulheres e a Fundação Ms. para as Mulheres.
Foi uma das fundadoras da revista Ms., criada na década de 1970, escrita por mulheres e dedicada a temas ligados aos direitos femininos. A publicação segue ativa.
Luta pelo direito ao aborto
Steinem atribuiu seu engajamento no ativismo feminista à experiência pessoal com um aborto secreto aos 22 anos, em Londres, quando o procedimento ainda era ilegal nos EUA. “Isso deu sentido à minha própria experiência”, escreveu posteriormente.
Quando a Suprema Corte revogou a decisão Roe vs. Wade em 2022, que garantia o direito ao aborto, Steinem afirmou: “Proibir o aborto não elimina sua necessidade. Apenas proíbe sua segurança”. Ela pediu às mulheres: “Não se desesperem, organizem-se”.
Reconhecimento e legado
Em 2013, o então presidente Barack Obama concedeu a Steinem a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta honraria civil dos EUA.
Sua vida foi tema do longa-metragem “The Glorias” (2020), baseado em suas memórias e estrelado por Julianne Moore. Em fevereiro de 2026, Steinem colaborou em um livro ilustrado com a ativista liberiana Leymah Gbowee.
A ex-secretária de Estado Hillary Clinton elogiou Steinem como uma pioneira que “abriu portas não apenas para si mesma, mas para milhões de mulheres” e disse que “seu ativismo era fundamentado no otimismo”.
Steinem nasceu em 25 de março de 1934, em Toledo, Ohio. Casou-se aos 66 anos com o empresário sul-africano David Bale, pai do ator Christian Bale, que morreu em 2003. Ela decidiu não ter filhos.
Fonte:
The New York Times
G1
Agência Reuters
Fundação Gloria Steinem
Nota editorial: As informações relatadas nesta matéria refletem o anúncio oficial da Fundação Gloria Steinem e declarações divulgadas por veículos de imprensa. A causa da morte não foi divulgada pela família ou pela fundação.

