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Flávio Bolsonaro liga Banco Master a Lula em documento aos EUA e omite elo com Vorcaro

Por Luiz Gomes • 3 de julho de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classificou o caso do Banco Master como a “maior fraude bancária da história” em um documento enviado ao governo dos Estados Unidos, no qual associou o escândalo ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, o parlamentar omitiu sua própria relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, que financiou o filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Contexto da comunicação com os EUA

O ofício, enviado na quarta-feira (1º/7) ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), pedia a suspensão das tarifas impostas aos produtos brasileiros por parte do governo de Donald Trump. Flávio Bolsonaro argumentou que a manutenção do tarifaço daria uma “vitória política” a Lula e que a decisão deveria ser tomada somente após as eleições presidenciais no Brasil.

No documento, o senador também abordou o histórico de corrupção no Brasil, um dos argumentos utilizados pelo governo Trump para justificar as tarifas. Ele mencionou a anulação das provas da Odebrecht pelo ministro Dias Toffoli, do STF, e classificou a Lava Jato e o mensalão como grandes escândalos. Flávio Bolsonaro defendeu que, durante o governo de Jair Bolsonaro, não houve escândalos comparáveis, citando os casos dos descontos no INSS e do Banco Master.

Foto publicada por Flávio Bolsonaro após encontro com Donald Trump. | Crédito: Reprodução/Instagram

A omissão da relação com Daniel Vorcaro

Flávio Bolsonaro afirmou no documento que a investigação do caso Master “revelou uma rede de proximidade entre o controlador do banco e a cúpula do governo”. Ele citou relações do Banco Master com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado.

Contudo, o senador não mencionou que teve conversas com Daniel Vorcaro, pedindo dinheiro para financiar o filme “Dark Horse”. O Intercept Brasil revelou que Vorcaro teria pago R$ 61 milhões para a produção do filme, e áudios de setembro de 2025 mostram Flávio cobrando mais recursos do ex-banqueiro. Flávio Bolsonaro admitiu ter se encontrado com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, alegando que o objetivo era romper a parceria.

Aliados de Flávio, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), também teriam uma relação próxima com Vorcaro, o que não foi citado no documento enviado aos EUA. A Polícia Federal investiga a suposta “mesada” que Ciro Nogueira teria recebido do ex-banqueiro.

Acusações e desdobramentos do caso Master

Flávio Bolsonaro declarou no ofício que o escândalo do Banco Master “atinge o sistema financeiro americano, prejudicou cidadãos dos EUA e pode até ter vínculos com o crime organizado, envolvendo pelo menos uma das organizações recentemente designadas como FTOs (Organizações Terroristas Estrangeiras)”.

A classificação do caso Master como a “maior fraude bancária da história do país” foi feita em janeiro pelo então ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). As investigações sobre o Banco Master estão em curso e, até o momento, não indicam envolvimento direto do governo federal.

O senador também mencionou que o escritório de advocacia fundado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, e gerenciado por sua esposa e filhos, teria sido contratado pelo controlador do banco por cerca de R$ 129 milhões. Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, nega qualquer irregularidade no contrato.

Descontos indevidos no INSS

O escândalo dos descontos indevidos de mensalidades de associações e sindicatos de aposentados do INSS, também citado por Flávio Bolsonaro, foi descoberto em 2024. Embora o problema venha de governos anteriores, atingiu patamares bilionários após 2022, durante o governo Lula. Em 2022, Jair Bolsonaro sancionou uma medida aprovada pelo Congresso que, segundo a Folha de S.Paulo, enfraqueceria o controle sobre esses descontos, sem apresentar vetos ao texto.

Críticas à “censura” e ao STF

Flávio Bolsonaro também criticou o que considera atos de “censura” do governo Lula e do STF contra “empresas de redes sociais” dos Estados Unidos. Ele citou os decretos do presidente para atualizar as regras do Marco Civil da Internet e a possibilidade de responsabilização das big techs por conteúdos publicados por usuários, definida pela Suprema Corte.

O senador reclamou que as novas regras foram impostas por decreto e por julgamento do STF, e não por via legislativa. Ele mencionou os pedidos de impeachment de ministros envolvidos em casos de “abuso de autoridade” que estão parados no Congresso, afirmando que só poderão avançar se a direita obtiver um bom resultado nas eleições de outubro.

As investigações sobre o caso do Banco Master continuam em andamento, e os desdobramentos podem trazer novas informações sobre as conexões e responsabilidades dos envolvidos. A decisão do governo Trump sobre as tarifas aos produtos brasileiros, que Flávio Bolsonaro pediu para ser adiada, também é aguardada.

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Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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