A Polícia Federal (PF) identificou, em mensagens de WhatsApp extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou diretamente a ele a minuta de um contrato de honorários advocatícios com o Banco Master no valor de R$ 129 milhões.
O diálogo, datado de 17 de janeiro de 2024, mostra Viviane enviando o documento com a mensagem: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”. Cinco dias depois, em 22 de janeiro, Vorcaro respondeu: “Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura? Prefere eletronicamente ou mando as vias físicas assinadas?”.
O contrato previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao escritório Barci de Moraes Associados — onde também trabalham os dois filhos do ministro — pelo período de três anos. O acordo estabelecia a defesa dos interesses do Banco Master perante o Banco Central (BC), a Receita Federal, o Congresso Nacional, o Ministério Público e o Poder Judiciário.
Segundo dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Os pagamentos foram interrompidos após a liquidação extrajudicial da instituição financeira, decretada pelo BC em novembro de 2025.
Defesa do escritório
Em nota divulgada em março, o escritório de Viviane afirmou ter prestado “ampla consultoria e atuação jurídica” ao Banco Master. Segundo a defesa, foram realizadas 94 reuniões de trabalho — sendo 79 presenciais na sede do banco, 13 com a presidência da instituição e duas por videoconferência — e elaborados 36 pareceres e opiniões legais.
A banca informou ainda que a consultoria envolveu a implementação de mecanismos de compliance, a revisão do Código de Ética e Conduta e políticas internas de relacionamento com o poder público. O escritório esclareceu que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF”.
Procurado, o escritório afirmou que não comenta tratativas envolvendo clientes. A defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou até a publicação.
Contexto da investigação
As mensagens foram apreendidas em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
O material integra um inquérito que apura o suposto vazamento de informações sigilosas sobre a família do ministro Alexandre de Moraes. O perito da PF João Cláudio Nabas é um dos alvos da investigação e foi alvo de busca e apreensão em maio.
De acordo com a PF, Nabas produziu arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de citações aos ministros encontradas no celular de Vorcaro e sugeriu o vazamento do material à imprensa.
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, manteve parte de seu gabinete mobilizado durante o recesso do Judiciário para analisar pedidos urgentes da PF e da Procuradoria-Geral da República.

