O presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado, Marco Rubio, na Casa Branca Imagem: Evan Vucci – Reprodução
Washington, D.C., 28 de maio de 2026 – O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Os grupos serão designados como “terroristas globais especialmente designados” (SDGTs) e “organizações terroristas estrangeiras” (FTOs), com a medida entrando em vigor a partir de 5 de junho.
O anúncio ocorre um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que se mostrou favorável à medida. A classificação permite ao Tesouro dos EUA sancionar empresas, fundos e bancos que possuam ligações com as facções, impactando o setor financeiro.
Justificativa dos EUA para a Classificação
Em comunicado oficial, o governo americano afirmou que PCC e CV estão entre as “organizações criminosas mais violentas do Brasil”, sendo responsáveis por “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis. O texto destaca que a atuação das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e os próprios Estados Unidos.
Autoridades americanas já identificaram membros do PCC atuando em território dos EUA, com registros em estados como Flórida, Nova York e Massachusetts. O fato de o PCC ser considerado o maior grupo criminoso das Américas, com atuação em cerca de 30 países e mais de 40 mil membros, também pesou na avaliação norte-americana.
Resistência do Governo Brasileiro e Implicações
Nos bastidores, o governo brasileiro, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atuava para tentar impedir a medida. A avaliação no Palácio do Planalto é que a classificação como grupo terrorista abriria margem para ações mais duras dos Estados Unidos, incluindo a possibilidade de operações militares no Brasil, um cenário extremo que já ocorreu em outros países [1] [3].
O governo Lula é contrário à designação das facções brasileiras por ver riscos à soberania nacional e potencial impacto na economia e no setor financeiro. O chanceler brasileiro Mauro Vieira chegou a telefonar para Marco Rubio em março, pedindo que os EUA esperassem a visita do presidente Lula a Donald Trump para avançar na negociação de cooperação em combate ao crime internacional.
Diferença na Legislação Antiterrorismo
A legislação brasileira difere da americana na definição de terrorismo. A Lei Antiterrorismo, sancionada no Brasil em 2016, define terrorismo como a prática de atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, visando provocar terror social ou generalizado. Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, as facções brasileiras não se enquadram nessa definição, pois buscam lucro por meio de crimes e lavagem de dinheiro, e não têm motivação ideológica, política ou religiosa.
Nos Estados Unidos, a avaliação é diferente, e a classificação como FTOs e SDGTs fornece ferramentas adicionais para as autoridades combaterem o financiamento e as operações desses grupos. O modelo aplicado a PCC e CV segue classificações usadas pelos EUA para cartéis latino-americanos, como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela.
A decisão dos EUA ocorre em um contexto de pressão política, com o senador Flávio Bolsonaro solicitando diretamente a Donald Trump e Marco Rubio a classificação das facções. Flávio Bolsonaro defende a medida como uma forma de combater o crime organizado com maior rigor, apesar das preocupações do governo brasileiro com a soberania.
Com a medida entrando em vigor em 5 de junho, as implicações para as operações financeiras e a atuação internacional do PCC e do Comando Vermelho devem ser significativas. A classificação pode levar a um aumento da cooperação internacional no combate a esses grupos, mas também levanta questões sobre a autonomia do Brasil em lidar com suas questões de segurança interna.

