Mundo

Rumble e Trump Media insistem em ação contra Moraes nos EUA

Por Luiz Gomes • 15 de julho de 2026

WASHINGTON/BRASÍLIA – As plataformas Rumble e Trump Media & Technology Group (TMTG) solicitaram à Justiça dos Estados Unidos a manutenção da ação judicial movida contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O pedido rebate a Advocacia-Geral da União (AGU) brasileira, que havia solicitado o encerramento do processo, alegando que as decisões de Moraes são atos soberanos do Estado brasileiro.

O Contexto da Ação Judicial

A ação foi iniciada em 2025 pelas empresas, que acusam Moraes de violar a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos ao determinar o bloqueio de perfis e conteúdos em suas plataformas. As empresas argumentam que o ministro extrapolou sua autoridade como membro do STF ao enviar ordens diretamente a organizações americanas, configurando censura transnacional ilegal.

Argumentos Legais e a Mudança da AGU

Inicialmente, a AGU havia pedido a intervenção do Brasil no processo, argumentando que as decisões judiciais proferidas pela Suprema Corte brasileira não poderiam ser questionadas perante tribunais de Estados estrangeiros, em respeito à imunidade de jurisdição, princípio consagrado no Direito Internaciona.

No entanto, Rumble e Trump Media contestam a posição da AGU, alegando que a Advocacia-Geral da União mudou seu argumento. As plataformas afirmam que o processo é contra a pessoa de Moraes, e não contra o Estado brasileiro, e que as decisões do ministro não se enquadram como atos soberanos protegidos pela imunidade. As empresas destacam que a AGU, ao defender que as decisões de Moraes são atos soberanos, estaria apresentando uma tese diferente daquela que justificaria a ação contra o ministro.

O Ofício do Governo Brasileiro

Um ponto central na argumentação das plataformas é o uso de um ofício do governo brasileiro. Rumble e Trump Media utilizaram este documento para tentar manter a ação contra Moraes nos EUA, reforçando a ideia de que o próprio governo brasileiro reconhece a distinção entre atos pessoais do ministro e atos de Estado.

Implicações Internacionais

A disputa judicial nos EUA tem gerado debates intensos sobre a soberania nacional, a liberdade de expressão e os limites da jurisdição de tribunais estrangeiros. A Justiça dos Estados Unidos já havia autorizado a Rumble e a Trump Media a citarem Moraes por e-mail, e a Corte americana aguarda a resposta do ministro.

Caso a ação prossiga, as implicações podem ser significativas, estabelecendo um precedente para questionamentos de decisões judiciais brasileiras em território estrangeiro. A AGU, por sua vez, continua a defender a tese de que o Brasil não consentirá com a apreciação de decisões de sua Suprema Corte por juízes de outro país, ressaltando que decisões judiciais brasileiras devem ser cumpridas ou questionadas perante os tribunais nacionais.

Redes sociais
Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

Deixe uma resposta