Mundo

Eleições no Peru: Keiko Fujimori alcança vantagem irreversível sobre Sánchez

Por Stephanie Paixao • 24 de junho de 2026

Keiko Fujimori lidera com mais de 50% contra 49,88% do candidato de esquerda Roberto Sánchez.

No Peru, a candidata de direita Keiko Fujimori alcançou uma grande vantagem na apuração dos votos do segundo turno e, com isso, deve ser confirmada como a nova presidente do Peru.

Ela enfrentou Roberto Sánchez, da esquerda, no segundo turno das eleições peruanas, ocorrido no início de junho. No Peru, a apuração dos votos pode levar mais de um mês, mostrando um cenário de forte polarização no país, mas a diferença entre os dois chegou a ser de apenas 0,1 ponto percentual.

Até a última atualização da contagem de votos, na manhã desta quarta-feira, 24, Keiko tinha 9.206.241 votos, frente aos 9.162.855 votos de Sánchez. Com 99,859% das urnas apuradas, faltavam ainda cerca de 40 mil votos a serem contabilizados.

Apesar de o adversário, Roberto Sánchez, não reconhecer o resultado, a imprensa peruana afirma que Keiko deve ser declarada a nova presidente do Peru ainda nesta quarta-feira, 24.

Quem é Keiko Fujimori

A direitista Keiko Fujimori, herdeira do movimento fujimorista, é filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

Quando (à esq.) Alberto Fujimori se divorciou da mulher, a filha Keiko Fujimori (dir.) exerceu as funções de primeira-dama

Keiko já teve envolvimento em casos de lavagem de dinheiro envolvendo a construtora brasileira Odebrecht.

A candidata da Força Popular reivindicou o legado de seu pai, que morreu em 2024. Ele passou cerca de 16 anos na prisão, condenado por crimes contra a humanidade. Alberto Fujimori foi acusado de crimes como execuções extrajudiciais e esterilização forçada de povos indígenas.

A herdeira do fujimorismo tentou associar sua imagem ao slogan da campanha “Volta à Ordem”.

O partido da então candidata, a Força Popular, teria recebido R$ 17 milhões da empresa brasileira Odebrecht, segundo a acusação. O dinheiro teria sido destinado às campanhas eleitorais de 2011 e 2016, mas alegações também dizem que os recursos teriam beneficiado a família Fujimori.

Por causa dessa investigação, Keiko Fujimori foi presa duas vezes entre 2018 e 2020, totalizando 17 meses de prisão preventiva. Se tivesse sido condenada, poderia ter ficado presa por mais de 30 anos.

O processo que levou à sua prisão ficou conhecido como Caso Coquetéis (Caso Cócteles), porque uma das formas de arrecadação de fundos de campanha era por meio de coquetéis. Ela sempre negou os crimes e argumentou que as doações de empresários eram totalmente legais.

Nascida em 1975, é a mais velha de quatro irmãos e foi criada em um ambiente de relativo privilégio. Estudou Administração de Empresas na Universidade de Boston e também obteve um mestrado na mesma área pela Universidade Columbia, em Nova York.

2006

Foi eleita congressista pela primeira vez. Com seu pai já detido naquela época, teve a maior votação de todo o país: foram mais de 600 mil votos, um recorde histórico para uma mulher no Peru.

2010

Liderou a criação do partido político que se tornou uma das principais forças de direita do país. Esta é a primeira vez que ela é eleita à Presidência após a morte de seu pai, em 2024.

O partido de Keiko aparece como a principal bancada nas duas casas legislativas, elegendo 41 das 130 cadeiras da Câmara e 22 das 60 cadeiras do Senado.

Promessas de Keiko

A direitista Keiko Fujimori, durante sua campanha, prometeu leis mais duras de combate ao terrorismo e um papel ampliado para os militares. Na ocasião, comparou as atuais gangues criminosas aos insurgentes maoístas de esquerda derrotados durante os dois mandatos de seu pai, entre 1990 e 2000.

Ela também prometeu usar as forças especiais do Peru e os serviços de inteligência para travar uma guerra contra o crime e a extorsão.

Além disso, segue dando ênfase à insegurança cidadã, à paralisia burocrática e à corrupção, que classifica como os três principais obstáculos do Peru. Segundo Keiko, a solução passa por mais eficiência, tecnologia e uso de dados.

.

Redes sociais
Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

Deixe uma resposta