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Espanha impõe controle de fronteira a viajantes vindos da Itália em meio a disputa migratória

Medida começou a valer neste sábado (8) e deve permanecer até 7 de setembro. Decisão é uma resposta à manutenção, pela Itália, de controles sobre viajantes que chegam da Espanha e amplia uma disputa entre os dois governos sobre imigração e segurança.

A Espanha começou a realizar controles de fronteira para passageiros que chegam da Itália por avião ou navio, em uma nova escalada da disputa migratória entre os dois países. A medida entrou em vigor à meia-noite deste sábado (8) e está prevista para durar até 7 de setembro. Durante o período, autoridades espanholas poderão verificar passaporte, nacionalidade e visto tanto de cidadãos italianos quanto de pessoas de outras nacionalidades que chegarem ao país provenientes da Itália.

A decisão de Madri veio depois de o governo italiano, liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, se recusar a suspender controles semelhantes impostos a viajantes que chegam da Espanha. Roma havia restabelecido temporariamente essas verificações após uma grande crise migratória em Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, na fronteira com o Marrocos. A Itália afirma que a medida está relacionada a preocupações de segurança e imigração irregular.

O episódio que desencadeou a atual crise ocorreu em 30 de julho, quando dezenas de milhares de pessoas tentaram entrar em Ceuta vindas do Marrocos. Segundo autoridades espanholas citadas pela Reuters, cerca de 72 mil migrantes participaram da tentativa de entrada em massa. O episódio provocou dezenas de mortes e levou governos europeus a discutir medidas mais rígidas de controle das fronteiras externas da União Europeia.

Foto: GETTY IMAGES via BBC

A maior parte dos migrantes que conseguiram entrar em Ceuta acabou retornando ao Marrocos, mas a crise teve consequências políticas dentro da União Europeia. A Itália decidiu suspender temporariamente as regras de livre circulação do Espaço Schengen para determinados viajantes provenientes da Espanha, alegando que precisava se proteger diante do risco de novos fluxos migratórios e de segurança. O governo espanhol considerou a decisão italiana injustificada e deu a Roma prazo para retirar as restrições.

A Itália, porém, rejeitou o ultimato espanhol. O governo de Meloni afirmou que não aceitaria “ultimatos ou imposições” e informou que manteria seus controles pelo menos até 15 de agosto. Roma também condicionou uma eventual revisão da medida à inexistência de novos riscos relacionados a terrorismo, segurança ou novos fluxos migratórios.

Diante da recusa italiana, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez adotou a medida anunciada anteriormente como uma possível resposta proporcional. Madri havia advertido que tomaria medidas de reciprocidade caso Roma não retirasse os controles. O governo espanhol classificou as restrições italianas como “injustificadas, contrárias aos interesses da União Europeia e discriminatórias contra a população espanhola”.

A disputa coloca frente a frente duas visões diferentes sobre a política migratória europeia. O governo de Giorgia Meloni, de orientação conservadora, defende controles mais rígidos contra a imigração irregular e tem pressionado por uma política europeia de fronteiras mais restritiva. Já o governo socialista de Pedro Sánchez mantém uma posição mais favorável à regularização de imigrantes e argumenta que a imigração também é importante para a economia espanhola.

O conflito também atinge um dos princípios centrais do Espaço Schengen, que permite a livre circulação entre países participantes sem controles sistemáticos nas fronteiras internas. A reintrodução temporária das verificações entre Espanha e Itália não significa o fim do acordo, mas mostra como uma crise migratória pode levar países integrantes a restabelecer controles internos de maneira excepcional.

A Comissão Europeia acompanha o impasse enquanto os governos espanhol e italiano mantêm posições opostas. A crise de Ceuta se tornou, assim, mais do que uma questão bilateral: transformou-se em um novo teste para a capacidade da União Europeia de conciliar livre circulação, controle migratório e segurança das fronteiras, justamente em um momento de crescente pressão política por medidas mais duras contra a imigração irregular.

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Stephanie Paixao
Sobre o autor

Stephanie Paixao

Stephanie Paixão é graduanda em Jornalismo e acadêmica do Ensino Superior em Tecnologia em Mídias Sociais e Digitais pela Universidade Unicesumar. Estrategista de conteúdo, com atuação no combate à desinformação e à análise crítica dos eventos nacionais e globais.

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