Economia

Desemprego cai a 5,4% no segundo trimestre, menor taxa da série histórica, mas renda real recua 1,5%

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no segundo trimestre de 2026, o menor nível para o período na série histórica iniciada em 2012, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma queda de 0,7 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre (6,1%) e de 0,4 ponto ante o mesmo período de 2025 (5,8%).

Evolução de Desocupação – Reprodução IBGE

O contingente de desempregados caiu 10,9% em relação aos três meses anteriores, chegando a 5,861 milhões de pessoas. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a queda foi de 6,3%, com redução de 392 mil pessoas desocupadas na força de trabalho. A população ocupada alcançou 103,057 milhões de pessoas, novo recorde da série, com alta de 1,1% ante o trimestre anterior e de 0,7% sobre o mesmo período do ano passado.

Renda recai e emprego sem carteira cresce

Apesar da queda no desemprego, a renda média real de todos os trabalhos caiu 1,5% no segundo trimestre, para R$ 3.738, ante R$ 3.795 no primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve alta de 2,8%. O analista do IBGE, William Kratochwill, explicou que a renda passou a não crescer mais por causa do aumento da ocupação em setores de nível de instrução mais baixa, produtividade menor e renda menor.

O crescimento da ocupação foi puxado principalmente pelo aumento de empregados do setor privado sem carteira de trabalho assinada, que cresceu 2,2% no trimestre (mais 288 mil pessoas). Já os trabalhadores com carteira assinada no setor privado cresceram 0,6%, enquanto o contingente de empregados no setor público subiu 2,6%.

A população desalentada — que desistiu de procurar emprego — caiu 14,7% no trimestre, para 2,3 milhões de pessoas, uma redução de 395 mil. O percentual de desalentados recuou de 2,4% para 2,1% no período.

Mercado de trabalho aquecido e impacto nos juros

Analistas consideram que o mercado de trabalho deve continuar aquecido, com a taxa em níveis baixos para os padrões nacionais, mesmo com uma esperada desaceleração da economia. André Valério, economista sênior do Inter, avaliou:

“De modo geral, vemos um mercado de trabalho ainda muito robusto, mas com sinais de moderação, apresentando menor dinamismo, reflexo, na nossa visão, do estoque de aperto monetário dos últimos anos.”

O mercado de trabalho segue sendo ponto de atenção para o Banco Central, uma vez que o desemprego em mínima histórica e a renda em níveis elevados alimentam o consumo, dificultando o controle da inflação. O BC volta a se reunir na próxima semana para definir a taxa básica de juros Selic, com expectativa de redução de 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano.

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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