Saúde

Saúde e Bem-Estar

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Vamos falar sobre aquilo que nem sempre conseguimos dizer.

E se o maior problema da sua saúde mental for justamente aquilo que você aprendeu a esconder tão bem?

Você acorda, trabalha, cuida da casa, dos filhos, responde mensagens, resolve problemas, sorri quando precisa sorrir e continua seguindo em frente.

Para quem olha de fora, está tudo bem.

Mas será que está?

É a partir dessa pergunta que quero começar a nossa conversa.

Meu nome é Leonardo Oliveira,sou esposo,sou pai, sou filho, sou psicanalista, escritor e a partir de agora editor da coluna Saúde e Bem-Estar do Arena Remix.

E antes de falar sobre o que vamos publicar aqui, quero explicar por que acredito que esse espaço é importante.

Saúde e bem-estar não são apenas ausência de doença

Quando ouvimos falar em saúde, normalmente pensamos no corpo.

Exames, alimentação, atividade física, prevenção, tratamentos.

Tudo isso é importante.

Mas existe uma parte da nossa saúde que não aparece necessariamente em um exame de sangue.

Está na maneira como lidamos com nossas emoções.

Na forma como nos relacionamos.

Na maneira como enfrentamos uma perda.

Na dificuldade de dizer não.

Na necessidade constante de agradar.

No medo de ficar sozinho.

Naquela relação que sabemos que nos faz mal, mas da qual não conseguimos sair.

Na culpa que carregamos.

Naquilo que aconteceu há muitos anos, mas que ainda interfere nas nossas escolhas de hoje.

Cuidar da saúde também significa olhar para aquilo que acontece dentro de nós.

E é sobre isso que quero conversar aqui.

Mas não espere encontrar respostas prontas

Vivemos uma época curiosa.

A internet nos ensinou a dar nome para praticamente tudo.

Se alguém é difícil, pode ser chamado de narcisista.

Se estamos preocupados, dizem que é ansiedade.

Se estamos tristes, talvez seja depressão.

Se tivemos uma experiência ruim, rapidamente aparece a palavra “trauma”.

Se permanecemos em uma relação que nos faz sofrer, alguém provavelmente vai explicar em poucos segundos o motivo.

O problema não é que esses conceitos não existam.

Eles existem e são importantes.

O problema começa quando a complexidade do ser humano é reduzida a uma palavra.

É aqui que quero propor uma diferença.

Em vez de perguntar imediatamente:

“Qual é o problema dessa pessoa?”

Talvez possamos perguntar:

“O que está acontecendo com essa pessoa?”

Parece uma mudança pequena.

Mas não é.

O olhar da Psicanálise

Como psicanalista, meu interesse está justamente nessa complexidade.

A Psicanálise nos convida a olhar para aquilo que muitas vezes não conseguimos explicar conscientemente.

Por que repetimos determinados relacionamentos?

Por que algumas pessoas sempre escolhem parceiros que reproduzem determinadas características?

Por que alguém sabe que precisa mudar, mas parece não conseguir?

Por que continuamos buscando aprovação de pessoas que nunca conseguem nos oferecer aquilo que esperamos?

Por que algumas dores desaparecem aparentemente, mas voltam de outras formas?

Não acredito que exista uma resposta simples para perguntas como essas.

E talvez essa seja uma das coisas mais interessantes quando falamos sobre o ser humano.

Nós somos muito mais complexos do que os rótulos que recebemos.

Temos uma história.

Temos desejos.

Temos conflitos.

Temos perdas.

Temos lembranças.

Temos coisas que conseguimos dizer e outras que ainda não conseguimos colocar em palavras.

E muitas vezes aquilo que fazemos hoje tem alguma relação com uma história que começou muito antes.

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Sobre o que vamos falar aqui?

A coluna Saúde e Bem-Estar nasce justamente para abrir esse espaço de conversa.

Vamos falar sobre saúde mental, relacionamentos, família, comportamento, ansiedade, autoestima, solidão, infância, perdas, dependência emocional, narcisismo, autoconhecimento e tantos outros assuntos que fazem parte da nossa vida.

Mas não quero que esta seja uma coluna de respostas rápidas.

Quero que seja uma coluna de perguntas importantes.

Vamos falar, por exemplo, sobre por que algumas pessoas permanecem em relacionamentos que as machucam.

Sobre o que realmente existe por trás da dependência emocional.

Sobre a diferença entre uma pessoa difícil e alguém que apresenta um transtorno.

Sobre aquilo que herdamos emocionalmente da nossa família.

Sobre as marcas da infância que podem continuar aparecendo na vida adulta.

Sobre o sofrimento que ninguém percebe porque aprendemos a funcionar mesmo estando mal.

E sim, também vamos falar bastante sobre narcisismo.

Mas com uma ressalva importante:

nem todo mundo que nos machuca é narcisista.

Às vezes, precisamos parar de procurar um diagnóstico para o outro e começar a entender o que aquela relação está produzindo em nós.

Sem complicar o que já é complexo

Não quero escrever para impressionar.

Quero escrever para ser compreendido.

Conceitos importantes não precisam ser apresentados com palavras difíceis apenas para parecerem inteligentes.

Se eu falar de inconsciente, desejo, repetição, mecanismos de defesa ou outros conceitos da Psicanálise, quero que você consiga entender como aquilo pode aparecer na vida real.

Porque conhecimento que não consegue chegar às pessoas fica restrito a poucos.

E saúde e bem-estar deveriam ser assuntos para todos.

Talvez você se reconheça em algum desses textos

Pode acontecer de você ler um artigo aqui e pensar:

“Eu conheço alguém assim.”

Pode acontecer de pensar:

“Isso aconteceu comigo.”

E talvez, em alguns momentos, você pense:

“Eu faço isso.”

É aí que a conversa começa a ficar realmente interessante.

Porque falar sobre o comportamento dos outros é relativamente fácil.

Mais difícil é olhar para nós mesmos.

Perguntar por que escolhemos determinadas coisas.

Por que permanecemos em determinados lugares.

Por que repetimos determinados padrões.

Por que sentimos aquilo que sentimos.

E, principalmente, o que estamos fazendo com a nossa própria história.

Um convite

Não quero que você venha para esta coluna apenas para encontrar respostas.

Venha também para encontrar perguntas.

Perguntas que talvez incomodem.

Perguntas que talvez façam você repensar uma relação.

Uma escolha.

Uma lembrança.

Um comportamento.

Ou até uma ideia que você tinha sobre si mesmo.

A partir de hoje, este será o nosso espaço para conversar sobre saúde e bem-estar de uma maneira humana, acessível e responsável.

Sem transformar todo sofrimento em transtorno.

Sem transformar todo ex em narcisista.

Sem frases prontas dizendo que basta pensar positivo.

E também sem romantizar o sofrimento.

Porque sofrer faz parte da experiência humana.

Mas compreender o próprio sofrimento pode abrir possibilidades que antes pareciam não existir.

Eu sou Leonardo Oliveira, psicanalista, escritor e editor da coluna Saúde e Bem-Estar do Arena Remix.

E este é apenas o começo.

Nos próximos artigos, vamos falar sobre aquilo que muitas vezes você sente, mas nem sempre consegue dizer.

Seja bem-vindo.

A nossa conversa começa agora.

Léo Oliveira
Sobre o autor

Léo Oliveira

Leo Oliveira é esposo, pai, filho, psicanalista, escritor e editor da coluna Saúde e Bem-Estar do Arena Remix. Atua na área da saúde mental com um olhar voltado à compreensão do comportamento humano, das relações e dos conflitos emocionais presentes no cotidiano. Seu trabalho busca aproximar a Psicanálise da vida real, utilizando uma linguagem acessível, direta e humana, sem excesso de termos técnicos ou respostas prontas. Como escritor e produtor de conteúdo, aborda temas como relacionamentos, família, dependência emocional, narcisismo, infância, ansiedade, autoconhecimento e os padrões que muitas vezes repetimos sem compreender. À frente da coluna Saúde e Bem-Estar, Leonardo propõe uma reflexão sobre como cuidamos de nós mesmos, das nossas relações e da nossa vida emocional, partindo de uma ideia simples: entender o que sentimos também é uma forma de cuidar de nós.

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