Joana Monteiro, professora da FGV e diretora do Laboratório para Redução da Violência, defende que o governo federal crie uma política nacional de governança para a segurança pública, com liderança forte e estratégias de longo prazo. Ela afirma que facções como o PCC já perceberam que a violência direta não compensa, mas continuam expandindo sua influência por outros meios.
Principais Pontos da Entrevista:
Facções Criminosas
O PCC teria aprendido que não vale a pena exercer violência indiscriminada, preferindo expandir por meio de controle territorial e infiltração econômica. O Comando Vermelho no Rio de Janeiro segue lógica diferente, exigindo estratégias específicas. Monteiro alerta que não se pode aplicar a mesma política para facções distintas.
Estratégia Nacional
A especialista defende que segurança pública não deve ser tratada apenas como questão policial, mas como problema estrutura…É necessário definir metas claras, prioridades e indicadores para medir avanços. O enfrentamento deve incluir prevenção, controle territorial e combate à infiltração financeira.
Conclusão
O PCC mudou sua lógica, reduzindo a violência aberta, mas ampliando sua presença econômica.
O Brasil precisa de uma política nacional integrada, com liderança forte e estratégias de longo prazo.
Sem coordenação federal, o país continuará preso à lógica de operações pontuais e pouco eficazes.
Classificar o PCC como organização terrorista poderia trazer efeitos mistos: ajudaria a ampliar sanções econômicas e cooperação internacional, mas também geraria riscos jurídicos e diplomáticos para o Brasil, já que a facção não tem motivação ideológica, mas sim econômica.
Possíveis Benefícios da Classificação
Congelamento de bens e bloqueio de transações financeiras ligadas ao PCC em sistemas sob jurisdição americana.
Maior cooperação internacional
Facilita trocas de informações entre órgãos de contraterrorismo e combate ao crime organizado.
Instituições financeiras seriam obrigadas a reforçar controles para evitar vínculos com integrantes da facção.
Conclusão
Nos EUA, a classificação já está em vigor e traz efeitos práticos como sanções financeiras.
No Brasil, especialistas defendem que enquadrar o PCC como terrorista não ajudaria, pois não corresponde à definição legal e poderia gerar mais problemas diplomáticos do que soluções.
O caminho mais defendido internamente é fortalecer o combate econômico e estrutural ao PCC, sem alterar sua classificação jurídica

