Eleições 2026

Caiado é corrigido ao minimizar plano de golpe durante entrevista na Globo

Candidato defendeu anistia ampla aos condenados pelo 8 de janeiro, propôs polícia sul-americana e evitou detalhar pontos da Previdência. Foto Reprodução Redes Globo

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Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República pelo PSD, foi corrigido durante entrevista exibida pela TV Globo na terça-feira, 25 de agosto de 2026, depois de tentar tratar como um simples “relato” o plano investigado pela Polícia Federal para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

A sabatina foi a segunda de uma série com seis candidatos, exibida após o Jornal Nacional. Durante a entrevista, Caiado também defendeu uma anistia ampla aos condenados por crimes relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023, propôs a criação de uma polícia conjunta entre países sul-americanos e apresentou ideias sobre reforma tributária, Previdência e segurança pública.

Correção sobre investigação da Polícia Federal

Ao ser questionado sobre sua proposta de anistia, Caiado afirmou que enviaria ao Congresso um projeto “amplo e irrestrito”, que poderia beneficiar inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante a resposta, o candidato passou a criticar Lula e mencionou reportagens sobre corrupção exibidas durante a Lava Jato e o Mensalão.

Quando os entrevistadores retomaram o tema do plano de assassinato revelado nas investigações sobre a tentativa de ruptura institucional, Caiado tentou relativizar o caso. “Isso é um relato”, afirmou. Renata Vasconcellos o interrompeu e respondeu: “Não foi um relato”.

A correção se referia ao fato de que a apuração não se baseou apenas no depoimento de uma pessoa. O caso envolve documentos, mensagens e outros elementos reunidos pela Polícia Federal, que levaram a denúncias, julgamentos e condenações no Supremo Tribunal Federal.

Anistia foi comparada a processos de Lula

Caiado comparou a anistia que pretende conceder aos condenados pelo 8 de janeiro à decisão do Supremo que anulou as condenações de Lula na Operação Lava Jato. A comparação foi contestada na própria entrevista porque o STF não concedeu anistia ao atual presidente.

As condenações foram anuladas depois que o Supremo concluiu que a Justiça Federal do Paraná não era o foro competente para julgar os processos. Com a decisão, os casos foram remetidos à Justiça Federal de São Paulo e, posteriormente, acabaram prescritos ou arquivados. A anulação por incompetência territorial não equivale juridicamente a uma anistia coletiva.

“Nós precisamos acabar com essa polarização. Ninguém aguenta mais essa situação. Esse clima está criando esse processo de um contra o outro”, afirmou Caiado ao defender sua proposta de anistia.

Polícia sul-americana contra o crime

Na área de segurança pública, o candidato propôs a criação de uma força policial integrada por países da América do Sul, batizada em seu programa de governo de Sulpol. Segundo ele, a estrutura teria funcionamento semelhante ao da Europol e poderia atuar contra contrabando, armas, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

Caiado afirmou que agentes estrangeiros poderiam entrar no território brasileiro em operações autorizadas dentro desse modelo. Questionado se aceitaria ações dos Estados Unidos no país, respondeu que não haveria motivo para permitir operações norte-americanas, porque os países sul-americanos poderiam atuar em conjunto. “O Brasil é a Disneylândia do narcotráfico”, disse o candidato.

Propostas econômicas e Previdência

Caiado afirmou que pretende revisar a reforma tributária e reduzir a carga para trabalhadores autônomos e microempreendedores. Também criticou a previsão de uma alíquota de aproximadamente 28% para o Imposto sobre Valor Agregado e o Imposto Seletivo, conhecido como “Imposto do Pecado”.

Questionado sobre a reforma da Previdência, o candidato não respondeu se pretende alterar a idade mínima de aposentadoria. Disse que reuniria especialistas para avaliar a sustentabilidade do sistema e, ao ser pressionado novamente, afirmou não ter condições de detalhar as medidas previstas em seu plano de governo.

Desempenho recebeu avaliação negativa

A atuação de Caiado foi avaliada com nota média de 1,4, em uma escala de 1 a 5. As avaliações destacaram respostas longas, falta de objetividade e dificuldade para explicar propostas, principalmente nos temas fiscal, previdenciário e de segurança pública.

Uma das principais críticas foi dirigida à afirmação de que as despesas públicas deveriam ser limitadas a 50% do Produto Interno Bruto. Os avaliadores consideraram que, se interpretada literalmente, a proposta poderia representar uma elevação significativa dos gastos atuais. Outra crítica recorrente foi a dificuldade do candidato em se apresentar como alternativa à polarização entre lulismo e bolsonarismo.

Caiado foi o segundo entrevistado da série. Antes dele, Romeu Zema havia participado da sabatina. Na sequência, a programação previa entrevistas com Renan Santos, Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury. A ordem foi definida por sorteio com representantes dos partidos.

Fonte:

O Globo — Caiado na TV Globo

Sabatina Presidencial TV Globo

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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