Eleições 2026

Brasil nega vistos a emissários de Trump que pretendiam questionar sistema eleitoral.

Itamaraty classifica iniciativa como ingerência

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou, na sexta-feira (24), os pedidos de visto de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar ao Brasil para levantar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A decisão foi confirmada pelo Itamaraty neste sábado (25).

Os diplomatas eram Riley M. Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, ambos indicados políticos da administração Donald Trump. Segundo reportagem do jornal “The Washington Post”, a missão dos enviados seria se reunir com críticos do sistema eleitoral e produzir um relatório voltado a deslegitimar as urnas eletrônicas.

O governo brasileiro tomou conhecimento dos pedidos de visto na segunda-feira (20) e avaliou que a agenda poderia ter objetivos além de uma visita diplomática de rotina. O que chamou a atenção foi o fato de o pedido ter ocorrido um dia antes do encontro do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) com embaixadores de mais de 40 países, no qual ele levantou dúvidas sobre a transparência das urnas eletrônicas e pediu que os países enviassem observadores para as eleições.

TSE diz que não foi informado sobre agenda

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou, em nota, que foi procurado pela Embaixada dos Estados Unidos “para tratar sobre a visita de integrantes do governo norte-americano, mas não foi informada a temática da agenda, que não foi marcada em razão do recesso do Judiciário”. O tribunal afirmou que o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, já realizou em junho uma reunião com 25 embaixadores para explicar o funcionamento do sistema eletrônico de votação, e que um novo encontro será realizado em agosto, com convite à diplomacia dos EUA.

Ministros do TSE e do STF, ouvidos reservadamente pela CNN Brasil, classificaram a tentativa de envio dos emissários como uma “ousadia” e um “estratagema completamente incompatível com a democracia brasileira”. A avaliação nos bastidores é que a viagem buscaria reforçar a campanha de desinformação contra o sistema eletrônico de votação, relançada nos últimos dias a partir de declarações de Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Tensões bilaterais

A negativa dos vistos ocorre em meio a uma escalada de atritos entre os governos de Washington e Brasília. Nos últimos dias, a relação bilateral tem sido marcada por trocas de críticas públicas, imposição de tarifas comerciais a produtos brasileiros e divergências em torno de processos judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus familiares.

O Itamaraty também já havia manifestado preocupação com a iniciativa em nota divulgada anteriormente, classificando o plano dos EUA como uma tentativa de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. O governo Lula tem reiterado em foros internacionais o repúdio a tentativas externas de interferência nas urnas e na soberania do país.

O Departamento de Estado dos EUA confirmou a viagem planejada, mas não respondeu às perguntas sobre o propósito da missão ou sobre eventuais preocupações com a integridade eleitoral brasileira.

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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