A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu investigação para apurar se os helicópteros envolvidos na colisão que matou seis pessoas no domingo (14) no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, realizavam transporte clandestino de passageiros. O diretor-presidente da agência, Tiago Faierstein, confirmou que os dois pilotos e as duas aeronaves estavam com a documentação regular no momento do acidente.
“Os pilotos se encontravam em situação regular e eram bastante experientes. Inclusive, para o modelo de aeronave que estavam pilotando. E as aeronaves também se encontravam em situação regular”, disse Faierstein. “Porém, nós precisamos verificar se essas aeronaves — ou pelo menos uma delas, a que estava com passageiros — estavam realizando o que a gente chama de transporte aéreo clandestino. Nós temos várias denúncias e algumas investigações em curso.”
Aeronave já havia sido alvo de multa e denúncias
Uma das aeronaves envolvidas, o Bell 206B Jet Ranger (prefixo PP-MAC), foi alvo de auto de infração da Anac por “recusa de exibição de livros, documentos contábeis, informações ou estatísticas aos agentes da fiscalização”, conforme documentos obtidos pelo O Globo. A multa foi emitida no ano passado durante apuração de denúncia anônima de que o helicóptero estaria realizando serviço de táxi aéreo clandestino no Aeroporto de Jacarepaguá.

Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro/Divulgação
Na denúncia, foi afirmado que a aeronave operava com “manutenção vencida e diário de bordo com lançamento inconsistente de horas totais voadas”. A empresa responsável pela aeronave, Turfik Comércio de Frutas Ltda., que adquiriu o helicóptero em outubro de 2024, não cumpriu o prazo para encaminhar os documentos solicitados pela Anac.
A outra aeronave, um Eurocopter AS350 B2 (prefixo PR-DJJ), também já havia entrado no radar da agência sob suspeita de realizar serviço de táxi aéreo clandestino. Durante fiscalização em fevereiro deste ano, a aeronave foi apontada com suspeita de transporte aéreo clandestino no Heliporto da Lagoa. O helicóptero pertence ao empresário Maurício da Cunha e Silva Espíndola Dias desde 2021.
Ambos os helicópteros possuíam certificados de aeronavegabilidade ativos e regulares junto à Anac.
Acidente matou seis pessoas, incluindo cantor americano e youtuber argentino
A colisão ocorreu por volta das 8h59 da manhã de domingo, na Avenida das Américas. Testemunhas relataram que os helicópteros se chocaram no ar e caíram a cerca de 100 metros de distância um do outro. O Eurocopter AS350 B2 explodiu ao atingir o solo, e o fogo se espalhou por um pátio de uma concessionária da marca BYD, atingindo cerca de 15 veículos elétricos estacionados. Os cinco ocupantes morreram na hora. O Bell 206B caiu sem pegar fogo, e o piloto morreu preso às ferragens.
As vítimas foram:
Helicóptero PP-MAC (Eurocopter AS350 B2):
· Alexandre Souza, piloto brasileiro
· Gaspar Prim (Gaspi), youtuber argentino
· Lucas Brito Chaves (Lucas Frota), produtor musical brasileiro
· Lucas Vignale, diretor de videoclipes argentino
· Nickel Oliver Tree, cantor e produtor americano
Helicóptero PR-DJJ (Bell 206B):
· Charles Marsillac, piloto brasileiro
O Corpo de Bombeiros mobilizou 45 militares, 15 viaturas e equipes especializadas do Grupo de Operações Especiais (GOEsp) para o atendimento da ocorrência. O fogo foi controlado por volta das 10h.
Investigações em andamento
A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), confirmou que investigadores foram acionados para apurar as causas da colisão. “Durante a Ação Inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação”, diz o órgão, em nota.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou nesta segunda-feira (15) que os corpos dos três brasileiros já foram identificados. “Os peritos do Instituto Médico-Legal (IML) já colheram material para possível confronto genético visando à identificação das vítimas estrangeiras, e os exames seguem em processamento.”
