Semace encaminhou família à Sohidra
A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) orientava a família desde março a aguardar instruções sobre como proceder na propriedade, já que perfurações indevidas poderiam contaminar lençóis freáticos. A pasta direcionou o agricultor à Sohidra, que deve realizar em agosto um estudo no sítio para determinar o ponto de uma nova perfuração.
Segundo apurou o Diário do Nordeste, a Sohidra não respondeu aos pedidos de contato do veículo até a publicação da reportagem original.
Família soma R$ 25 mil em dívidas
Sidrônio, a esposa Maria Luciene e os dois filhos que moram no sítio acumulam uma dívida de R$ 25 mil, contraída em empréstimos ao longo da busca por água. O agricultor tomou um empréstimo bancário de R$ 15 mil para contratar o serviço de perfuração do poço, enquanto Maria Luciene fez um empréstimo de R$ 10 mil, pouco antes da descoberta do petróleo, para renovar o rebanho da propriedade.
A primeira parcela dos empréstimos, avaliada em cerca de R$ 1.800, vence em setembro. Sidrônio ainda não sabe como vai pagar a quantia e pretende negociar a dívida com o banco. A única renda da família vem das aposentadorias do casal.

Diante da falta de recursos, Sidrônio avalia vender os cinco novilhos que restaram de sua criação. “Eu já tô endividado. Não tem como furar não”, disse à reportagem.
Conta de água chegou a R$ 241,44 em julho
A família passou a receber água por uma adutora instalada após a repercussão do caso. Mesmo usando o recurso apenas para necessidades básicas, a primeira fatura, recebida em julho, foi de R$ 241,44. Caso a propriedade tivesse água própria, a produção mensal do sítio poderia chegar a pouco mais de R$ 2 mil, segundo estimativa de Sidnei Moreira, filho do agricultor.
A propriedade está com a família de Sidrônio há quatro gerações. Mesmo diante das dificuldades financeiras, o agricultor recusou as quatro propostas de compra do terreno que recebeu desde que a descoberta do petróleo repercutiu.
Estudo sobre exploração não tem prazo definido
A ANP iniciou uma avaliação sobre a viabilidade de extrair o petróleo encontrado na propriedade, mas não há prazo para conclusão nem garantia de que o recurso será comercializado. O processo também depende do Ministério de Minas e Energia, do Ministério do Meio Ambiente e do Tribunal de Contas da União, e pode levar anos.
Segundo especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste, a exploração do petróleo encontrado dificilmente teria viabilidade econômica, já que o custo de extração corre o risco de superar o valor de mercado do recurso.
A definição do local para um eventual novo poço de água depende do estudo da Sohidra, previsto para o próximo mês. Até lá, a família segue sem recursos para custear a perfuração e aguarda uma definição das autoridades sobre o destino dos dois poços que permanecem parados na propriedade.
Fonte: Diário do Nordeste

