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Agricultor que achou petróleo pode achar água, mas falta dinheiro

Tabuleiro do Norte (CE) — 1 de Agosto de 2026 O agricultor Sidrônio Moreira, do Sítio Santo Estevão, em Tabuleiro do Norte (CE), foi orientado pelo governo do Ceará a aguardar, em agosto, um estudo da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) que deve indicar onde é possível perfurar um novo poço de água na propriedade — mas a família não tem dinheiro para custear a obra.

Semace encaminhou família à Sohidra

A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) orientava a família desde março a aguardar instruções sobre como proceder na propriedade, já que perfurações indevidas poderiam contaminar lençóis freáticos. A pasta direcionou o agricultor à Sohidra, que deve realizar em agosto um estudo no sítio para determinar o ponto de uma nova perfuração.

Segundo apurou o Diário do Nordeste, a Sohidra não respondeu aos pedidos de contato do veículo até a publicação da reportagem original.

Família soma R$ 25 mil em dívidas

Sidrônio, a esposa Maria Luciene e os dois filhos que moram no sítio acumulam uma dívida de R$ 25 mil, contraída em empréstimos ao longo da busca por água. O agricultor tomou um empréstimo bancário de R$ 15 mil para contratar o serviço de perfuração do poço, enquanto Maria Luciene fez um empréstimo de R$ 10 mil, pouco antes da descoberta do petróleo, para renovar o rebanho da propriedade.

A primeira parcela dos empréstimos, avaliada em cerca de R$ 1.800, vence em setembro. Sidrônio ainda não sabe como vai pagar a quantia e pretende negociar a dívida com o banco. A única renda da família vem das aposentadorias do casal.

A família acumula uma dívida de R$ 25 mil, resultado de empréstimos contraídos durante as tentativas de encontrar água. Foto: Marcelo Andrade/IFCE

Diante da falta de recursos, Sidrônio avalia vender os cinco novilhos que restaram de sua criação. “Eu já tô endividado. Não tem como furar não”, disse à reportagem.

Conta de água chegou a R$ 241,44 em julho

A família passou a receber água por uma adutora instalada após a repercussão do caso. Mesmo usando o recurso apenas para necessidades básicas, a primeira fatura, recebida em julho, foi de R$ 241,44. Caso a propriedade tivesse água própria, a produção mensal do sítio poderia chegar a pouco mais de R$ 2 mil, segundo estimativa de Sidnei Moreira, filho do agricultor.

A propriedade está com a família de Sidrônio há quatro gerações. Mesmo diante das dificuldades financeiras, o agricultor recusou as quatro propostas de compra do terreno que recebeu desde que a descoberta do petróleo repercutiu.

Estudo sobre exploração não tem prazo definido

A ANP iniciou uma avaliação sobre a viabilidade de extrair o petróleo encontrado na propriedade, mas não há prazo para conclusão nem garantia de que o recurso será comercializado. O processo também depende do Ministério de Minas e Energia, do Ministério do Meio Ambiente e do Tribunal de Contas da União, e pode levar anos.

Segundo especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste, a exploração do petróleo encontrado dificilmente teria viabilidade econômica, já que o custo de extração corre o risco de superar o valor de mercado do recurso.

A definição do local para um eventual novo poço de água depende do estudo da Sohidra, previsto para o próximo mês. Até lá, a família segue sem recursos para custear a perfuração e aguarda uma definição das autoridades sobre o destino dos dois poços que permanecem parados na propriedade.

Fonte: Diário do Nordeste

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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