Mais da metade dos brasileiros demonstra baixa empolgação com o Mundial, sendo o maior índice dessa categoria já registrado na série histórica.
Entre passagens, hospedagens em dólar e deslocamentos entre EUA, México e Canadá, o “pacote Copa” virou um verdadeiro investimento.
Para muitos brasileiros, o sonho de ver o Hexa de perto esbarra em uma planilha de custos assustadora. Os números falam por si:
• Torcedores já denunciaram a FIFA à Comissão Europeia por preços exorbitantes. Para se ter uma ideia, os bilhetes mais baratos para a final estão custando cerca de US$ 4.185 (mais de R$ 21 mil) — um valor 7x maior que o da final no Catar.
• Em Nova York/New Jersey, o custo para chegar ao MetLife Stadium de trem será US$ 150 (cerca de R$ 800), contra os US$ 12,90 da tarifa regular do trecho em um dia comum.
• Com 48 seleções em um continente inteiro, o custo médio de uma viagem “econômica” de sete dias para Miami, por exemplo, gira em torno de R$ 8.680 – sem incluir os ingressos.
O abismo financeiro também é um abismo emocional…
O debate sobre os custos acompanha uma mudança na percepção do público. Enquanto a FIFA defende os valores para sustentar a infraestrutura e o novo formato do torneio, para os brasileiros, o futebol vive um momento de afastamento entre a Seleção e torcedor — uma certa perda de identidade.

Imagem: CBF
Esse distanciamento apareceu até no lançamento dos novos uniformes. Um levantamento da Timelens mostrou que 72% das menções digitais foram negativas, com foco no design e nos preços.
• O slogan “Vai Brasa” também enfrentou resistência, com 71% de reprovação nas redes sociais.
Para a FIFA, o foco está no resultado: a projeção de receita para o torneio deste ano é de US$ 11 bilhões. Pense que no Catar, 4 anos atrás, a projeção era de US$ 7,5 bilhões.
O mercado norte-americano, principal sede, faz diferença no produto final. Em um ambiente onde o evento é tratado como um entretenimento de alto padrão, garante o sucesso comercial mesmo com a baixa empolgação em locais tradicionais.

Imagem: Getty Images
O impacto macroeconômico nos países-sede deve ser moderado — 0,05% do PIB nos EUA —, mas o impacto cultural é o que está sendo testado.















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