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A Alemanha é a “nova China” de Trump?

Por Igor Alves • 4 de maio de 2026

O que começou como uma troca de farpas se tornou uma crise militar que pode redesenhar o mapa do poder global.

Na última sexta-feira, o Pentágono anunciou a retirada de 5 mil soldados americanos da Alemanha nos próximos 6 a 12 meses. A medida foi uma resposta à fala do chanceler alemão, Friedrich Merz, que afirmou que os EUA estavam sendo “humilhados” pelo Irã nas negociações pelo fim da guerra no Irã. Trump não gostou, ordenando a retirada e prometendo reduzir ainda mais a presença militar no país.

Para além das tropas…

Embora a retirada dos soldados seja a notícia que estampa as capas de jornais ao redor do mundo, analistas apontam que o buraco é muito mais embaixo. A Alemanha está se tornando o “alvo favorito” de Trump na Europa por três motivos principais:

• Os alemães se recusaram a enviar apoio militar total para a ofensiva dos EUA no Estreito de Ormuz, condicionando a ajuda a um cessar-fogo e aprovação da ONU/UE. Para a Casa Branca, foi uma falta de lealdade de um aliado protegido.

• Nesta semana, Trump elevou as tarifas de importação sobre carros europeus de 15% para 25%. Com o mercado chinês em queda, as exportações para os EUA eram a salvação da indústria alemã, que agora vê o colapso de sua principal engrenagem econômica.

• Sob o governo Merz, a Alemanha acelerou o plano de tornar-se a maior força militar convencional da Europa até 2029. Essa tentativa de independência da proteção americana é vista por Trump como um sinal de que os EUA não precisam mais investir na região.

Acontece que desde o fim da Segunda Guerra e a criação da OTAN, a Alemanha tem sido um aliado estratégico dos EUA. Enquanto os americanos garantiam a segurança contra a Rússia, em troca, usavam as bases alemãs como espaço para projetar poder no Oriente Médio e na África.

Por isso, a medida não é polêmica somente na Europa. No Congresso americano, líderes republicanos de Defesa enviaram uma carta conjunta manifestando que estão “muito preocupados”.

• Eles defendem que, se Trump quer punir a Alemanha, deveria mover os soldados para a Polônia ou o Leste Europeu, em vez de trazê-los para casa e enfraquecer a linha de frente da OTAN.

Por falar na OTAN… Ontem, o chanceler alemão disse em uma entrevista que os EUA seguem sendo o principal parceiro da Organização, em uma clara tentativa de colocar panos quentes no embate com os EUA.

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Igor Alves
Sobre o autor

Igor Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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