São Paulo, 30 de abril de 2026 – A economia global está sob um novo teste de resiliência, conforme apontado pela Carta IEDI nº 1359, publicada nesta terça-feira. O documento, que analisa o cenário mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), destaca os impactos de um conflito no Oriente Médio, iniciado em fevereiro de 2026, e as persistentes tensões comerciais, especialmente as relacionadas à política dos Estados Unidos. A situação gera aumento nos preços de commodities, pressões inflacionárias e uma aversão ao risco nos mercados financeiros, com economias emergentes importadoras de commodities possivelmente mais vulneráveis.
Cenário Geopolítico e Econômico Global
O conflito no Irã e os distúrbios logísticos no Oriente Médio, verificados a partir do final de fevereiro de 2026, representam o episódio mais recente de uma série de choques que têm testado a resiliência da economia global desde a pandemia de Covid-19. As consequências globais se manifestariam por meio de diversos canais de transmissão, incluindo o aumento dos preços das commodities energéticas e não energéticas, pressões inflacionárias e maior aversão ao risco nos mercados financeiros. O FMI indicou que economias de mercado emergente e em desenvolvimento importadoras de commodities são as mais vulneráveis. Apesar de a incerteza econômica e geopolítica global ter arrefecido desde o pico de abril de 2025, no contexto do choque tarifário do governo Trump, ela permanece historicamente elevada. Diversos pontos críticos nos próximos meses podem gerar novos aumentos dessa incerteza, incluindo a situação volátil no Oriente Médio e decisões pendentes sobre a política comercial dos Estados Unidos.

Projeções de Crescimento do PIB Global
Neste contexto de elevada incerteza, o FMI teria apresentado, em abril de 2026, três cenários para a economia global em 2026 e 2027: um cenário básico ou de referência, que assumiria um conflito de curta duração no Irã, e dois cenários sob a hipótese de um conflito de longa duração, denominados “adverso” e “severo”. No cenário básico, o FMI aprofundou sua expectativa de desaceleração, reduzindo em 0,2 ponto percentual a projeção para o PIB mundial em 2026. A economia mundial sairia de um ritmo de +3,4% em 2025 para +3,1% em 2026. Para 2027, o FMI espera uma ligeira reação, com alta de +3,2%. As expectativas do Fundo seriam convergentes com as projeções da OCDE, que, em março de 2026, indicaria um ritmo de crescimento do PIB global ainda mais fraco: +2,9% em 2026 e +3,0% em 2027. O comércio mundial, por sua vez, perderia tração de +5,1% em 2025 para apenas +2,8% em 2026, com uma recuperação parcial para +3,8% em 2027.
Assumindo o cenário de referência do FMI, as economias avançadas seguem perdendo dinamismo de forma moderada, com +1,8% em 2026. O PIB americano, no entanto, poderia passar de +2,1% em 2025 para +2,3% em 2026, beneficiado pela melhora dos termos de troca como exportador líquido de energia. Para os emergentes e em desenvolvimento, o FMI espera uma desaceleração mais intensa, de +4,4% em 2025 para +3,9% em 2026, puxada por países do Oriente Médio e importadores de energia. A América Latina e Caribe despontaria como a região com a terceira menor taxa de crescimento, mas com pouca perda de ritmo entre 2025 e 2026, com +2,4%.
Impacto no Brasil e Recomendações de Política
Para o Brasil, o FMI também projeta perda de tração, mas menos intensa do que o esperado anteriormente (+0,3 p.p.), graças ao impacto positivo sobre os preços das commodities no contexto atual. A alta de +2,3% do PIB em 2025 passaria para +1,9% em 2026. A OCDE, contudo, seria mais pessimista, estimando +1,5% para o Brasil em 2026. As projeções para o PIB brasileiro em 2026 convergiriam com os apontamentos dos agentes internos, segundo o Boletim Focus do Banco Central do Brasil, cuja projeção mediana é de +1,85% em pesquisa de 24 de abril de 2026. Para 2027, há uma divergência, com o Focus indicando continuidade da desaceleração para +1,79%.
Diante das incertezas globais, o FMI observa que o conflito no Oriente Médio resulta em dilemas políticos imediatos, como o equilíbrio entre combater a inflação e preservar o crescimento do PIB, e entre apoiar a população afetada pelo aumento do custo de vida e reconstruir os amortecedores fiscais. Entre as sugestões de política do FMI, destacam-se a necessidade de uma política monetária firme, mas cautelosa, para evitar desestabilização, e a adoção de uma consolidação fiscal crível no médio prazo, dada a situação de elevado endividamento público. O Fundo também enfatizaria a importância de investimentos em qualificação profissional, energia e infraestrutura digital, além de mercados competitivos e estruturas robustas para a governança de dados e segurança cibernética, a fim de aproveitar os ganhos de produtividade associados à Inteligência Artificial e digitalização. Medidas que auxiliem os trabalhadores a se reorientarem e a manterem suas habilidades atualizadas para um mercado de trabalho remodelado pela IA também são consideradas importantes.
Perspectivas e Desdobramentos
O cenário delineado pela Carta IEDI nº 1359 indica que a economia global continua a navegar em um ambiente de complexidade e volatilidade. A capacidade de adaptação às mudanças geopolíticas e econômicas, bem como a implementação de políticas fiscais e monetárias prudentes, são cruciais para mitigar os riscos de deterioração. A evolução do conflito no Oriente Médio e as futuras decisões sobre a política comercial dos Estados Unidos podem determinar a intensidade dos desafios a serem enfrentados nos próximos anos. A atenção dos mercados e dos formuladores de políticas públicas permanece voltada para os desdobramentos desses fatores, que podem moldar o ritmo de crescimento e a estabilidade econômica mundial.
Fonte: IEDI – Instituto de Estudos para o Desenvolvimento IndustrialIEDI – Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial















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