Brasil

176 Deputados apresentam Emendas para adiar o fim da Escala 6×1 no Brasil para 2036

Por Stephanie Paixao • 20 de maio de 2026
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A emenda apresentada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR), que propõe uma regra de transição de dez anos para o fim da escala 6×1, conta com a assinatura de 176 parlamentares federais.

O debate sobre a extinção da escala de trabalho 6×1, seis dias de atividade para um de descanso, tornou-se o centro gravitacional das discussões trabalhistas no Congresso Nacional. O que começou como um movimento popular digital, o “Vida Além do Trabalho” (VAT), escalou para uma disputa institucional que coloca em campos opostos a urgência por saúde mental e os temores de desestabilização econômica. 

Enquanto propostas como a PEC 221/2019 e a PEC 8/2025 buscam reduzir a jornada para 36 horas ou implementar a semana de quatro dias, uma articulação política robusta tenta diluir essas mudanças em uma transição de dez anos.

A Estratégia da Transição e a Resistência Parlamentar

O principal ponto de fricção na Câmara dos Deputados hoje não é mais a admissibilidade da mudança, mas o seu cronograma. Uma emenda apresentada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR) propõe uma “regra de vacância” de uma década. 

Na prática, se aprovada, a validade real do fim da escala 6×1 seria empurrada para 2036. Para os defensores da medida, esse prazo é uma cautela necessária para que o setor produtivo, especialmente as micro e pequenas empresas, possa investir em automação e reorganizar custos sem gerar desemprego em massa.

Essa estratégia conta com apoio significativo de partidos de direita e do centro. Entre os 176 signatários da emenda que adia a medida, destacam-se 21 parlamentares da bancada de Minas Gerais, majoritariamente filiados ao PL, PP, MDB e União Brasil

Nomes como Nikolas Ferreira (PL) e Ana Paula Leão (PP) defendem que a redução não pode ser um “ponto de partida” ideológico, mas o resultado final de ganhos prévios de produtividade.

O Paradoxo da Produtividade Brasileira

Um dos pilares técnicos do debate é o chamado paradoxo das horas trabalhadas. Dados da OCDE revelam que o Brasil possui uma das jornadas anuais mais extensas do mundo (entre 1.800 e 1.900 horas), porém com uma produtividade horária estagnada, girando entre US$ 16 e US$ 20 por hora. 

Por que o Brasil trabalha muito e produz pouco?

Economistas e institutos de pesquisa (como o IBRE/FGV) apontam que a produtividade de um país não depende do esgotamento físico do trabalhador, mas sim de fatores estruturais que o Brasil falha em resolver:

  1. Baixa Intensidade Tecnológica: Falta de automação, softwares de gestão eficientes e infraestrutura industrial defasada fazem com que o trabalhador gaste mais tempo para realizar uma tarefa que em outro país é automatizada.
  2. Custo Brasil e Gargalos de Infraestrutura: Problemas de logística, transportes ineficientes (trabalhadores passam horas no trânsito antes de chegar ao posto) e burocracia tributária consomem o tempo produtivo das empresas.
  3. Falta de Educação e Qualificação Profissional: O baixo investimento em requalificação técnica contínua limita a eficiência da mão de obra.

Em contraste, países como a Alemanha e a Dinamarca cumprem jornadas anuais muito menores (cerca de 1.340 horas) com produtividades que ultrapassam US$ 65 por hora.

Especialistas apontam que o excesso de horas no Brasil gera o “presenteísmo”  o trabalhador está fisicamente no posto, mas sua capacidade cognitiva e eficiência são sabotadas pelo cansaço crônico e pelo estresse. Estudos indicam que a redução da carga horária pode, na verdade, elevar a produtividade em cerca de 4% ao reduzir o absenteísmo e as falhas operacionais decorrentes da fadiga.

Impactos Econômicos: Entre o Alarme e o Ajuste Marginal

As projeções sobre o impacto financeiro da medida divergem drasticamente conforme a lente de quem as produz. Entidades patronais como a CNI e a CNC projetam um cenário pessimista, com uma possível queda de 0,7% no PIB e um aumento de até 13% nos preços ao consumidor, argumentando que o custo da hora trabalhada subiria subitamente 21% no comércio.

Por outro lado, uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresenta um cenário mais amortecido. Segundo o Ipea, para a maioria dos setores, o impacto nos custos operacionais seria inferior a 1%, comparável a reajustes históricos do salário mínimo que não geraram desemprego. 

O estudo reforça que 80% dos trabalhadores afetados pela escala 6×1 ganham até dois salários mínimos, uma faixa onde o tempo livre extra tende a ser convertido em consumo imediato em lazer e serviços, reativando a economia local.

Evidências Globais: O Caso de Sucesso da Islândia

O exemplo internacional mais citado é o da Islândia, que entre 2015 e 2019 realizou testes reduzindo a jornada de 40 para 35 ou 36 horas sem redução salarial. 

O resultado foi transformador: 

A produtividade e a prestação de serviços mantiveram-se as mesmas ou melhoraram, enquanto os índices de burnout e estresse doméstico despencaram. Atualmente, 86% da força de trabalho islandesa já opera sob contratos de jornada reduzida ou possui o direito de negociá-los. 

No Reino Unido, testes similares mostraram que o faturamento das empresas subiu, em média, 35% em comparação a períodos anteriores, com uma queda de 57% nas demissões voluntárias.

A evidência empírica internacional demonstra que excesso de horas não gera riqueza.

O esgotamento do trabalhador gera custos com saúde pública, rotatividade de pessoal (turnover) e erros operacionais devidos à fadiga.

O debate econômico técnico, portanto, não contesta o fato de que a redução melhora a produtividade individual. O impasse real na formulação de políticas públicas reside na assimetria: enquanto economias desenvolvidas possuem infraestrutura e capital acumulado para absorver a redução imediatamente, economias em desenvolvimento e de baixa margem (como o pequeno comércio brasileiro) buscam subsídios, desonerações ou prazos de transição para realizar os investimentos necessários em automação que compensem a perda das horas físicas

Deputados que apoiam a manobra de adiar o Fim da Escala 6×1 para 2036

Totais

Por região: Sudeste 58 | Sul 44 | Nordeste 32 | Centro-Oeste 22 | Norte 20
Por partido: PL 62 | PP 30 | União 23 | Republicanos 17 | MDB 13 | PSD 10 | Podemos 7 | PSDB 5 | Novo 5 | PDT 2 | Solidariedade 1 | Cidadania 1


Região Norte — 20

União Brasil

Coronel Ulysses (AC); Henderson Pinto (PA); Pastor Diniz (RR); Fausto Jr. (AM); Meire Serafim (AC); Thiago Flores (RO); Aline Gurgel (AP)

PL

Joaquim Passarinho (PA); Lucio Mosquini (RO); Nicoletti (RR); Coronel Chrisóstomo (RO); Filipe Martins (TO); Dr. Fernando Máximo (RO)

PP

Zezinho Barbary (AC); Zé Adriano (AC)

Republicanos

Eli Borges (TO); Roberto Duarte (AC)

Outros

Alexandre Guimarães (MDB/TO); Rafael Fera (PODE/RO); Antonio Andrade (PSDB/TO)


Região Nordeste — 32

PL

Capitão Alden (BA); General Girão (RN); Rodrigo Valadares (SE); Roberta Roma (BA); Coronel Meira (PE); João Carlos Bacelar (BA); Cabo Gilberto Silva (PB); Sargento Gonçalves (RN); Dr. Jaziel (CE)

PP

Clarissa Tércio (PE); AJ Albuquerque (CE); Danilo Forte (CE); Átila Lira (PI); Julio Arcoverde (PI); Delegado Fabio Costa (AL); João Maia (RN); Claudio Cajado (BA); Gustinho Ribeiro (SE)

União Brasil

Arthur Oliveira Maia (BA); José Rocha (BA); Josivaldo Jp (MA); Paulo Azi (BA); Fernando Coelho Filho (PE)

Republicanos

Augusto Coutinho (PE); Aluisio Mendes (MA); Diego Coronel (BA)

Outros

Hildo Rocha (MDB/MA); Eunício Oliveira (MDB/CE); Fernanda Pessoa (PSD/CE); Luiz Gastão (PSD/CE); Pastor Eurico (PSDB/PE); Márcio Honaiser (Solidariedade/MA)


Região Centro-Oeste — 22

PL

Alberto Fraga (DF); Marcos Pollon (MS); Rodrigo da Zaeli (MT); Rodolfo Nogueira (MS); Bia Kicis (DF); Gustavo Gayer (GO); José Medeiros (MT); Magda Mofatto (GO); Coronel Fernanda (MT)

Republicanos

Juarez Costa (MT); Beto Pereira (MS); Marussa Boldrin (GO)

Outros

Dr. Zacharias Calil (MDB/GO); Célio Silveira (MDB/GO); Nelson Barbudo (PODE/MT); Glaustin da Fokus (PODE/GO); Dr. Luiz Ovando (PP/MS); Adriano do Baldy (PP/GO); Daniel Agrobom (PSD/GO); Dr. Ismael Alexandrino (PSD/GO); José Nelto (União/GO); Fabio Garcia (União/MT)


Região Sudeste — 58

PL

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP); Mauricio do Vôlei (MG); Dr. Flávio (RJ); Adilson Barroso (SP); Delegado Paulo Bilynskyj (SP); Chris Tonietto (RJ); Zé Vitor (MG); Greyce Elias (MG); Lafayette de Andrada (MG); Domingos Sávio (MG); Junio Amaral (MG); Rosângela Reis (MG); Carlos Jordy (RJ); Marcelo Álvaro Antônio (MG); Sóstenes Cavalcante (RJ); Marco Feliciano (SP); Lincoln Portela (MG); Missionário José Olimpio (SP); Vinicius Carvalho (SP); Mario Frias (SP); Rosangela Moro (SP); Jefferson Campos (SP); Nikolas Ferreira (MG)

PP

Ana Paula Leão (MG); Da Vitória (ES); Julio Lopes (RJ); Simone Marquetto (SP); Pinheirinho (MG); Bebeto (RJ); Amaro Neto (ES); Mauricio Neves (SP); Doutor Luizinho (RJ)

Republicanos

Evair Vieira de Melo (ES); Celso Russomanno (SP); Gilberto Abramo (MG); Jorge Braz (RJ); Daniela do Waguinho (RJ)

Outros

Vitor Lippi (PSD/SP); Hugo Leal (PSD/RJ); Laura Carneiro (PSD/RJ); Diego Andrade (PSD/MG); Rafael Simoes (União/MG); Messias Donato (União/ES); Luiz Fernando Faria (União/MG); Zé Silva (União/MG); Newton Cardoso Jr. (MDB/MG); Hercílio Coelho Diniz (MDB/MG); Baleia Rossi (MDB/SP); Luiz Lima (Novo/RJ); Adriana Ventura (Novo/SP); Ricardo Salles (Novo/SP); Mário Heringer (PDT/MG); Max Lemos (PDT/RJ); Marangoni (PODE/SP); Renata Abreu (PODE/SP); Murillo Gouvea (PSDB/RJ); Luciano Vieira (PSDB/RJ); Arnaldo Jardim (Cidadania/SP)