Economia

Escalada no Oriente Médio: Petróleo sobe mais de 5% e governo adia fim do subsídio à gasolina

Por Igor Alves • 10 de julho de 2026

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que medida estava prevista para ocorrer nesta semana, mas novos bombardeios no Irã mudaram cenário.

A forte instabilidade geopolítica no Oriente Médio voltou a balançar a economia global e forçou um recuo estratégico na política de combustíveis do Brasil. Após o preço internacional do barril de petróleo disparar mais de 5% em um único dia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o governo federal decidiu adiar o anúncio de retirada do subsídio à gasolina, que estava planejado para ocorrer esta semana.

O movimento visa proteger o consumidor interno de um repasse imediato da volatilidade externa para as bombas dos postos de combustíveis.

O Estopim Técnico: Guerra e o fantasma do Estreito de Ormuz

A abrupta valorização da commodity foi desencadeada por uma nova onda de ataques militares das forças do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) contra posições estratégicas no Irã. Os bombardeios atingiram cerca de 90 alvos na costa iraniana, incluindo sistemas de defesa aérea e infraestruturas navais, após o presidente americano Donald Trump anunciar o fim do memorando de cessar-fogo com o país.

A retaliação imediata de Teerã gerou pânico nos mercados financeiros devido ao risco iminente de fechamento do Estreito de Ormuz — canal por onde escoa aproximadamente 20% de todo o comércio mundial de petróleo. Como reflexo direto:

  • O petróleo Brent (referência global para a Petrobras) saltou 5,2%, fixando-se em US$ 78,02 o barril.
  • O WTI (referência no mercado americano) avançou 4,37%, negociado a US$ 73,52.

A Mudança de Planos Econômicos do Governo

A equipe econômica do governo federal planejava usar esta semana para anunciar o encerramento gradual ou total da subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina, instituída originalmente em maio como medida emergencial. No início do mês, em 1º de julho, o Executivo já havia retirado com sucesso o subsídio que incidia sobre o diesel.

Contudo, com o preço internacional desenhando um teto imprevisto, o Ministério da Fazenda optou pela cautela para evitar um efeito inflacionário em cadeia.

“Esta semana eu ia anunciar a retirada do subsídio da gasolina. Vou analisar na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo”, afirmou o ministro Dario Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha.

O Que Acontece Agora?

O desconto de R$ 0,44 por litro segue mantido temporariamente tanto para a gasolina produzida no Brasil quanto para a importada. A Fazenda informou que o cenário internacional será monitorado diariamente.

Caso as tensões no golfo pérsico refluam e o preço do barril se estabilize em patamares mais baixos, o governo pretende retomar o cronograma original de transição fiscal e anunciar a retirada do benefício, seja de forma parcial ou integral, a partir da próxima semana. Até lá, o Palácio do Planalto utiliza a subvenção como um colchão amortecedor para blindar a inflação doméstica.

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Sobre o autor

Igor Alves

Jornalista político com 10 anos de atuação direta em Brasília. Especialista na cobertura dos Três Poderes, combina a análise crítica dos bastidores do Congresso com um olhar documental sobre o cotidiano do Palácio do Planalto, da Câmara Federal e do Senado Federal.

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