A Uefa e suas 55 associações-membro anunciaram, em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (30), que boicotarão a Copa do Mundo e outras competições da Fifa caso a entidade avance com o plano de vender parte dos direitos comerciais dos torneios a investidores privados. A decisão unânime foi tomada em reunião emergencial e representa a maior crise institucional no futebol mundial desde a chegada de Gianni Infantino à presidência da Fifa, em 2016.
Confira AQUI a Nota em Português direto do Side da UEFA.
O projeto prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões que concentraria os direitos de transmissão, patrocínios e licenciamento da Copa do Mundo, da Copa do Mundo Feminina e do Mundial de Clubes. A Fifa pretende vender cerca de 20% da companhia para investidores privados, com a meta de arrecadar US$ 4,2 bilhões, mantendo o controle acionário.
A operação seria liderada pela Thrive, empresa fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O elo ampliou o componente político que já acompanha a gestão de Infantino.
Uefa: “A Copa do Mundo não está à venda”

“A Copa do Mundo da Fifa pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda”, diz a nota. Como resultado, a Uefa declarou que “nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor”.
Um boicote europeu significa que a Copa do Mundo de 2030 aconteceria sem potências como Inglaterra, França, Espanha e Alemanha. A medida também afetaria a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, e o Mundial de Clubes.
Pressão sobre as federações e prazos
Em carta enviada às 211 associações filiadas, Infantino ofereceu US$ 20 milhões imediatos para quem aderir ao novo modelo — um valor superior ao programa tradicional de desenvolvimento — e estabeleceu o prazo de 19 de setembro para que as federações decidam. Oposicionistas acusam a Fifa de usar dinheiro para conquistar votos e impor uma “governança pela intimidação”.
A Uefa, a Concacaf (América do Norte) e a AFC (Ásia) rejeitaram a proposta, representando 143 dos 211 votos da Fifa. A Associação Europeia de Clubes e o sindicato de jogadores Fifpro também se manifestaram contra, pedindo que a Fifa “reconsidere sua proposta sem mais demora”. A Federação Inglesa afirmou estar “profundamente preocupada com a falta de processos e governança” e que não tinha conhecimento da proposta antes do anúncio.
O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, já havia boicotado a final da Copa do Mundo de 2026 por decisões polêmicas durante o torneio, evidenciando o desgaste entre as entidades.

