O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) que o acordo de paz com o Irã “acabou” e que não pretende mais negociar com o regime iraniano. A declaração, feita durante coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, antes da cúpula da Otan, ocorreu após uma nova troca de bombardeios entre os dois países.
“Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento”, afirmou Trump. Ele também disse que planeja atacar o território iraniano novamente na noite desta quarta-feira (8): “Vamos atacá-los com força esta noite.”
Horas antes, os EUA haviam bombardeado alvos no sul do Irã, acusando o país de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz. O Irã respondeu com ataques retaliatórios contra bases militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atingido 85 pontos ligados a instalações militares dos EUA na Ásia Ocidental, incluindo o Porto Salman, a 5ª Frota no Bahrein e a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait.
Irã denuncia violações e pede ação da ONU
O governo iraniano acusou os EUA de “graves violações” do memorando de entendimento firmado em 17 de junho. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os ataques dos EUA representam uma violação do Artigo 2 da Carta da ONU e do próprio acordo de paz, que determinava a interrupção de todas as operações militares.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, citou como violações as medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz, as ameaças de novos ataques, a imposição de sanções ao petróleo iraniano e a continuidade das ações militares de Israel no Líbano. “A era da intimidação e da extorsão acabou. Isso não leva a lugar nenhum. Nós não cedemos”, afirmou.
O Irã pediu que o Conselho de Segurança da ONU e o secretário-geral António Guterres cumpram suas responsabilidades na preservação da paz. O governo iraniano também afirmou que, com base no Artigo 51 da Carta da ONU, as Forças Armadas não hesitarão em defender a integridade territorial do país.
EUA revogam autorização para petróleo iraniano e elevam nível de ameaça
Paralelamente, os EUA revogaram a autorização temporária para operações com petróleo iraniano, que permitia a produção, entrega e venda de petróleo iraniano até 21 de agosto. A decisão, tomada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ocorreu após os ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz.

Refinaria de petróleo iraniana – Reprodução Redes Sociais
O Centro Conjunto de Informação Marítima, coalizão naval liderada pelos EUA, elevou o nível de ameaça para navios na região para “grave”, afirmando que uma “ação hostil deliberada” por parte do Irã é provável. O Qatar responsabilizou o Irã pelo ataque contra o navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) Al-Rekayyat.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, tem apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito. A disputa pelo controle da rota afeta o mercado global de energia: os preços do petróleo subiram 5% após as declarações de

