Uma análise dos dados orçamentários oficiais revela que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou drasticamente a liberação de recursos públicos para o Congresso Nacional. O volume de emendas parlamentares empenhadas (valores reservados no Orçamento para pagamento) mais que dobrou em comparação com o montante registrado em 2022, último ano da gestão de Jair Bolsonaro.
Verba Obrigatória
O levantamento aponta que o empenho total de emendas disparou sob a atual gestão. Esse crescimento reflete a estratégia do Palácio do Planalto para recompor e inflar a base de apoio político na Câmara dos Deputados e no Senado, visando à aprovação de pautas de interesse do Executivo.
Após o Supremo Tribunal Federal (STF) considerar o antigo “orçamento secreto” inconstitucional, esses recursos foram parcialmente redistribuídos. O governo atual passou a concentrar as liberações em emendas individuais (de execução obrigatória) e emendas de bancada e comissão, mantendo o fluxo bilionário de verbas para redutos eleitorais de deputados e senadores.
O volume recorde é apontado por analistas políticos como o preço pago pelo Executivo para garantir a governabilidade e avançar com reformas econômicas e agendas fiscais estruturantes. A aceleração dos empenhos coincide historicamente com períodos de votações cruciais e momentos de tensionamento com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e lideranças do Centrão.
A oposição e especialistas em contas públicas criticam o patamar atingido pelas emendas, argumentando que o escoamento excessivo de recursos pulverizados engessa o Orçamento federal, retira o poder de planejamento técnico dos ministérios e amplia os desafios fiscais do país em um cenário de busca pelo equilíbrio das contas.
Veja o total do quanto foi pago por emendas parlamentares em cada ano:
- 2026 (até julho) – R$ 33,89 bilhões;
- 2025 (ano completo) – R$ 44,97 bilhões;
- 2024 (ano completo) – R$ 40,02 bilhões;
- 2023 (ano completo) – R$ 34,42 bilhões;
- 2022 (ano completo) – R$ 28,04 bilhões;
- 2021 (ano completo) – R$ 25,10 bilhões;
- 2020 (ano completo) – R$ 21,54 bilhões;
- 2019 (ano completo) – R$ 9,98 bilhões;
- 2018 (ano completo) – R$ 9,84 bilhões;
- 2017 (ano completo) – R$ 4,96 bilhões;
- 2016 (ano completo) – R$ 3,65 bilhões;
- 2015 (ano completo) – R$ 44,90 milhões.

