Síria, 11 de Agosto de 2026
O tribunal considerou os réus culpados de acusações que incluem homicídio premeditado e intencional, tortura, prisões arbitrárias e assassinatos cometidos durante os 14 anos de conflito civil no país, que resultaram em cerca de 500 mil mortes. A decisão também impôs a pena capital a outros altos funcionários do antigo governo, incluindo o ex-ministro da Defesa Fahd al-Freij e o ex-chefe da inteligência militar Louay al-Ali
Julgamento à Revelia e Prisão de Familiares
Bashar al-Assad e seu irmão Maher al-Assad não compareceram à audiência em Damasco. Ambos fugiram para a Rússia em dezembro de 2024, quando uma ofensiva-relâmpago de grupos insurgentes liderados por Ahmed al-Sharaa derrubou o regime e encerrou mais de meio século de poder da família Assad. Atualmente, os irmãos encontram-se em Moscou, onde receberam asilo político.

Diferentemente do ex-ditador, o primo materno de Assad, Atef Najib, ex-chefe da segurança política na província de Daraa, foi julgado presencialmente e condenado à morte no mesmo processo. Najib, detido pelas autoridades de transição desde janeiro de 2025, permanecido em uma jaula durante a leitura do veredicto, tornando-se uma das figuras de mais alto escalão do antigo regime a enfrentar julgamento direto.
Desafios para a Extradição e Reação Popular
A sentença gerou forte comoção e comemorações de cidadãos sírios em frente ao tribunal em Damasco e em Daraa, cidade onde se iniciaram os protestos da Primavera Árabe em 2011. No entanto, especialistas jurídicos e autoridades apontam que a imposição da pena de morte pode complicar os esforços diplomáticos para a extradição de Assad e de outros aliados refugiados na Rússia.
Em outubro de 2025, o atual presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, solicitou formalmente a extradição de Bashar al-Assad ao presidente russo, Vladimir Putin. Até o momento, o governo russo não demonstrou disposição para atender ao pedido, mantendo o asilo concedido ao ex-aliado estratégico. Nem Moscou nem o governo de transição em Damasco emitiram notas oficiais imediatas sobre o desfecho da sentença.
A condenação de Bashar al-Assad representa um marco na transição política da Síria, buscando estabelecer precedentes de justiça para as vítimas da guerra civil iniciada em 2011. Enquanto o governo de Damasco tenta consolidar sua legitimidade interna e internacional por meio de tribunais formais, o impasse diplomático com Moscou sobre a extradição dos criminosos condenados permanece como o principal obstáculo para o cumprimento efetivo das penas capitais.

