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O governo federal elevou para R$ 1.741 a projeção do salário mínimo para 2027. O valor deverá constar do Projeto de Lei Orçamentária Anual, que será encaminhado ao Congresso Nacional até 31 de agosto. A estimativa anterior, apresentada em abril, era de R$ 1.717.
O novo valor ainda não é definitivo. A cifra final será conhecida em dezembro, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor referente a novembro. A atualização poderá alterar a previsão incluída no projeto orçamentário.

Como o valor é calculado
A projeção segue a política de valorização do salário mínimo, que combina a inflação acumulada em 12 meses até novembro do ano anterior com a variação do Produto Interno Bruto de dois anos antes. Para o cálculo de 2027, são considerados o INPC até novembro de 2026 e o crescimento da economia registrado em 2025.
A Secretaria de Política Econômica estima atualmente uma inflação de 4,93% no período de referência. O índice foi revisado para cima em razão da possibilidade de impacto do fenômeno El Niño sobre os preços dos alimentos. O crescimento do PIB em 2025 foi informado em 2,3%.
A regra de reajuste está sujeita às limitações do arcabouço fiscal. Por isso, embora o governo tenha apresentado R$ 1.741 como valor definido para a elaboração do orçamento, a quantia ainda poderá ser recalculada até o fim do ano.
Reajuste alcança benefícios sociais
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o reajuste do piso também será aplicado aos benefícios vinculados ao salário mínimo. A regra alcança pagamentos previdenciários e assistenciais, como aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social e o Benefício de Prestação Continuada.
“O salário mínimo, com os reajustes previstos em lei, chega a R$ 1.741 no ano que vem e ele, necessariamente, cumprindo a legislação brasileira, vai também para a Previdência e para os benefícios que têm a indexação com o salário mínimo”, afirmou Durigan.
O ministro também descartou, nas declarações divulgadas, a possibilidade de desvincular o salário mínimo dos benefícios sociais. Na prática, uma elevação do piso aumenta não apenas a renda de trabalhadores que recebem o mínimo, mas também o valor de uma parcela relevante das despesas obrigatórias do governo federal.
Impacto nas contas públicas
Estimativas apresentadas pelo governo em abril indicavam que cada R$ 1 adicional no salário mínimo gera uma despesa extra de aproximadamente R$ 413,2 milhões. Considerando a diferença entre a estimativa anterior e a nova projeção, a revisão do piso acrescenta pressão de cerca de R$ 9,9 bilhões nas despesas obrigatórias previstas para 2027.
O governo afirma, contudo, que as despesas obrigatórias deverão crescer em ritmo inferior ao conjunto das despesas orçamentárias. A proposta também prevê resultado positivo para as contas públicas, embora os números ainda dependam da tramitação do projeto no Congresso e da atualização das projeções econômicas.
A meta fiscal apresentada para 2027 é de superávit de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB. O resultado efetivo projetado, depois da exclusão de determinadas despesas, era de aproximadamente R$ 8 bilhões na estimativa anterior e ainda poderá ser alterado.
Congresso recebe projeto até o fim de agosto
O Executivo tem até 31 de agosto para encaminhar ao Congresso o projeto de orçamento de 2027. A proposta incluirá a previsão do salário mínimo, as despesas previdenciárias e assistenciais associadas ao piso e as estimativas de arrecadação e resultado fiscal.
O Congresso deverá analisar o texto ao longo dos meses seguintes. A previsão é que o projeto seja devolvido para sanção presidencial até 22 de dezembro, embora o valor definitivo do salário mínimo dependa do índice de inflação apurado no fim do ano.

