Coluna

A cura que (não)-pode esperar enquanto a burocracia termina de contar os tetraplégicos

A cautela regulatória diz proteger o paciente, mas e quando começa a protegê-lo até da esperança?

A Dra. Tatiana Sampaio criticou as novas restrições da Anvisa à polilaminina, chamou a decisão de erro e se emocionou ao falar de pacientes que perderam acesso ao tratamento experimental.

A cura que parece que sempre precisa esperar a burocracia terminar de contar os mortos.

Existe uma cena que o Brasil conhece bem: alguém descobre uma possibilidade, alguém adoece, alguém pesquisa, alguém cria esperança, e, antes que qualquer coisa aconteça, aparece uma repartição pública pedindo calma.

Calma.

Sempre a calma.

É impressionante como a burocracia brasileira consegue pronunciar essa palavra com a serenidade de quem não está esperando numa cama, numa cadeira de rodas ou diante de um corpo que deixou de responder.

Para o burocrata, existe prazo.

Para o pesquisador, existe protocolo.

Para a agência, existe segurança.

Para o paciente, existe o relógio.

E esse é justamente o detalhe que costuma desaparecer entre uma nota técnica e outra: o relógio do paciente não obedece ao Diário Oficial.

A polilaminina ainda é uma terapia experimental. Não existe autorização para tratá-la como cura comprovada, e a ciência não pode ser atropelada pela emoção. Isso é óbvio. O que não deveria ser óbvio, mas parece precisar ser repetido, é que prudência não pode virar sinônimo de paralisia.

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Luiz Gomes
Sobre o autor

Luiz Gomes

Luiz Gomes é redator de notícias e produtor de conteúdo digital, Atua a mais de 20 anos como professor de Geografia com foco em Geopolítica.

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