A Dra. Tatiana Sampaio criticou as novas restrições da Anvisa à polilaminina, chamou a decisão de erro e se emocionou ao falar de pacientes que perderam acesso ao tratamento experimental.
A cura que parece que sempre precisa esperar a burocracia terminar de contar os mortos.
Existe uma cena que o Brasil conhece bem: alguém descobre uma possibilidade, alguém adoece, alguém pesquisa, alguém cria esperança, e, antes que qualquer coisa aconteça, aparece uma repartição pública pedindo calma.
Calma.
Sempre a calma.
É impressionante como a burocracia brasileira consegue pronunciar essa palavra com a serenidade de quem não está esperando numa cama, numa cadeira de rodas ou diante de um corpo que deixou de responder.
Para o burocrata, existe prazo.
Para o pesquisador, existe protocolo.
Para a agência, existe segurança.
Para o paciente, existe o relógio.
E esse é justamente o detalhe que costuma desaparecer entre uma nota técnica e outra: o relógio do paciente não obedece ao Diário Oficial.
A polilaminina ainda é uma terapia experimental. Não existe autorização para tratá-la como cura comprovada, e a ciência não pode ser atropelada pela emoção. Isso é óbvio. O que não deveria ser óbvio, mas parece precisar ser repetido, é que prudência não pode virar sinônimo de paralisia.
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