A investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump na conhecida Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), ganhou um novo desdobramento após a Polícia Civil identificar que João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, um dos presos por envolvimento no caso, foi o responsável por retirar a câmera GoPro que estava acoplada ao braço da vítima após o acidente. A informação passou a integrar oficialmente as apurações conduzidas pela polícia e reforça uma das linhas investigativas que busca esclarecer se houve tentativa de dificultar a produção de provas relacionadas à tragédia.
Maria Eduarda morreu no dia 13 de junho após ser lançada de uma altura de aproximadamente 40 metros sem estar conectada às cordas de segurança que deveriam sustentar o salto. Imagens analisadas pela polícia e mencionadas no inquérito indicam que a jovem foi erguida por integrantes da equipe responsável pela atividade e arremessada da ponte sem qualquer sistema de retenção preso ao equipamento que utilizava. O caso foi registrado como homicídio e provocou forte repercussão nacional devido às circunstâncias da tragédia.

Agora, além de investigar as falhas que levaram à morte da estudante, a Polícia Civil busca esclarecer o paradeiro de uma câmera do tipo GoPro que estava acoplada no braço da vítima durante a atividade. Segundo relatos reunidos pelos investigadores, há suspeitas de que o equipamento tenha sido retirado do corpo de Maria Eduarda após a queda e desaparecido antes da chegada das autoridades.

A gravação é considerada uma das provas mais importantes do caso porque poderia mostrar os procedimentos adotados pela equipe nos instantes anteriores ao salto e ajudar a esclarecer quem era responsável pela conferência final dos equipamentos de segurança.
A nova linha de investigação levou à prisão de mais três pessoas suspeitas de participação na ocultação do equipamento ou na eliminação de possíveis provas. Antes disso, outros três envolvidos já haviam sido presos preventivamente sob suspeita de participação direta na operação que resultou na morte da jovem. Os investigadores apuram se houve uma tentativa coordenada de dificultar a produção de provas após o acidente, hipótese que ainda depende da conclusão das diligências e da análise dos depoimentos prestados pelos suspeitos.
Paralelamente, a polícia continua reunindo elementos sobre a estrutura que organizava os saltos na Ponte do Esqueleto. Uma das suspeitas investigadas é a de que o grupo atuava sem empresa formalmente constituída e sem autorização para realizar atividades daquela natureza no local. Em depoimento, a delegada responsável pelo caso apontou indícios de amadorismo na condução da operação e afirmou que os próprios investigados apresentaram versões desencontradas sobre quem deveria instalar ou conferir as cordas antes do salto.
A tragédia também trouxe à tona alertas anteriores envolvendo a própria Ponte do Esqueleto. Documentos revelados pela Agência Brasil mostram que a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) já havia solicitado o bloqueio do acesso ao local antes do acidente. A estrutura abandonada, localizada entre Limeira e Cordeirópolis, vinha sendo utilizada informalmente para atividades radicais, apesar dos alertas relacionados à segurança da área.
Enquanto a busca pela câmera desaparecida prossegue, familiares de Maria Eduarda cobram a completa elucidação do caso e a responsabilização de todos os envolvidos. Em manifestação pública divulgada após o acidente, a família classificou a morte da jovem como inaceitável e defendeu uma apuração rigorosa para que situações semelhantes não voltem a ocorrer.

